De Dindim a Água Batizada: Memórias de um Mini Vendedor

Sabe aquele ditado “filho de peixe, peixinho é”? Pois vou te contar, viu, que no meu caso isso foi levado a sério desde cedo. Hoje vou dar uma pausa nas dicas de viagem pra te levar numa viagem no tempo, lá pra meados dos anos 80. Era a época do presidente Sarney, o Brasil redescobrindo a democracia, e nas rádios o que bombava era o "Fogo e Paixão" do Wando, o "Olhar 43" do RPM e a "Cheia de Charme" do Guilherme Arantes. Foi nesse cenário que comecei minhas aventuras de vendedor pelo interior do Ceará. Eu vim ao mundo a passeio, mas parece que comecei a trabalhar cedo demais!
A vida inteira eu trabalhei com vendas. Como vocês sabem, meu pai sustentou heroicamente uma família apenas trabalhando como camelô nas feiras. E minha mãe nunca foi uma segunda fonte de renda. Ela cuidava da casa e da família, como a maioria das mulheres de antigamente fazia. Hoje a coisa ficou mais democrática, mas nem sempre foi assim não, viu?
Voltando a falar sobre as vendas, eu já vendi de tudo, mas hoje vou dar 4 exemplos de “mercadoria” inusitada que eu já vendi. Detalhe: ainda criança, viu?
Resumo das Minhas Aventuras Empreendedoras
- O Quê: Relatos de uma infância empreendedora no Ceará.
- Onde: Feiras e escolas do Ceará, na década de 80.
- Quando: Por volta de 1985, aos 10 anos de idade.
- Quem: Eu, Hélio, aprendendo as primeiras lições de negócio (e da vida).
- Destaque: As mercadorias inusitadas, que iam do delicioso dindim a uma... digamos... "água batizada".
- Hoje: Lembranças divertidas que mostram como a veia de vendedor começou cedo!
Dindim: O Sabor Doce do Lucro (e da Perda)
Pra quem não sabe, dindim é o famoso sacolé do Rio de Janeiro, ou geladinho da Bahia, ou chup-chup de Minas Gerais. Como chamam na sua cidade? Pois é, eu vendi isso aí, pessoal! Com uns 10 anos, lá por 1985, eu circulava ao redor das feiras no Ceará com meu isopor. Minha mãe fazia pra vender em casa e ganhar uns trocados, e eu acabei pegando pra vender na rua, ouvindo os sucessos da época nas rádios das barracas.
Lembro de um dia que vendi tanto que o bolso pesava com um monte de notas de Cruzeiros, o equivalente a uns R$ 100,00 hoje. Mas na volta pra casa, cadê o dinheiro? Sumiu. Rapaz, eu chorei que soluçava, aquele choro de criança que parece que o mundo acabou. Meu pai, vendo meu desespero, me deu o valor todinho. Mas sei não, viu... não adiantou. Eu queria O MEU dinheiro. Foi uma das primeiras vezes que a vida me ensinou: a rapadura é doce, mas não é mole não. E a gente chega na idade adulta e ainda tá aprendendo, né não?
Desentupidor de Fogão: Uma Lição de Bom Humor
Para os mais jovens, vou explicar: antigamente, com o tempo, os buraquinhos da boca do fogão por onde sai o fogo iam entupindo. A gente vendia uns desentupidores, que eram tipo uma agulha revestida com um canudo. Era tudo artesanal! A gente fazia em casa e saía pra vender, eu e meu irmão.
Teve uma situação engraçada que lembro até hoje. Oferecemos para um idoso e ele disse: “Meu fii (filho, no linguajar popular), só se for pra desentupir meu…” e soltou um palavrão. A gente não se ofendeu. Pelo contrário, morremos de rir com a situação. Às vezes, o melhor negócio é uma boa risada!
A Pior de Todas: Água... na Escola
Essa história é sinistra. A escola que eu estudava no Ceará não tinha água. A falta era constante, coisa comum naqueles tempos de crise econômica da "década perdida". Então, comecei a levar um tubo de água, mas os colegas começaram a pedir e pedir, e eu encontrei nisso uma forma de “empreender”. Comecei a vender água. Cinquenta centavos de Cruzeiros uma tampinha, que era tão pouco líquido que parecia a água que o rico pediu a Lázaro pra mandar na ponta do dedo, da ilustração bíblica.
Os meninos ficaram revoltados com isso. Então, tiveram uma ideia. Enquanto eu brincava no recreio, eles começaram a urinar no meu tubo de água. E eu, inocente, só fui descobrir o plano diabólico deles um tempo depois. Rapaz, não me pergunte por quanto tempo eu bebi aquela “água batizada”, porque eu mesmo não quero saber os detalhes. Só sei que meu empreendimento virou, literalmente, uma m... Eita coisa boa!
Pescaria na Caixa de Sapato: A Sorte Era Minha
Essa era uma pescaria diferente. Não tinha peixe, nem água. Vou explicar: eu pegava uma caixa de sapato, colocava pó de madeira de marcenaria e enterrava ali alguns brindes. Podia ser brinquedos pequenos, coisas de pouco valor como um chaveiro, um carrinho minúsculo... só coisas que ficassem cobertas pelo pó. Colocava também papéis escrito: "Tente outra vez". A maioria era só papel mesmo.
Eu saía durante eventos regionais e feiras livres oferecendo a pescaria. As pessoas pagavam pra “tentar a sorte”. A maioria não ganhava nada. Pense num negócio rentável! Era o meu próprio parque de diversões de um homem só.
Em Conclusão: A Veia de Vendedor Nunca Morre
Toda a minha família trabalha com comércio. Esses são só alguns exemplos de como desde cedo a gente gostou de vender coisas, não só por necessidade, mas pelo prazer de vender, negociar, interagir com as pessoas. Espero que esse relato tenha sido interessante pra você. No fim das contas, acho que essa veia de vendedor, nascida lá nos anos 80, nunca me abandonou e me ajudou a chegar onde estou hoje, podendo viajar por esse nosso Brasilzão.
E você, meu jovem? Já teve seu momento de empreendedor na infância? O que você já vendeu de inusitado? Me conta aí nos comentários que eu quero saber dessas histórias!
Leia Mais
- Como consegui me "aposentar" e comecei a viajar pelo Brasil
- Lembranças das viagens da Infância, com meu pai e minha mãe, na década de 80
- De volta a Caculé: A cidade que moldou minha infância
- Perrengues de Viagem: Do avião sem combustível ao motor parado no mar
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