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Entre Lagos, Neve e Ceará: Para Onde Viajar esse fim de ano?

·7 min de leitura·por Helio Pere
Entre Lagos, Neve e Ceará: Para Onde Viajar esse fim de ano?

Eu vinha falando Atacama pra todo mundo, com a maior segurança do mundo.

Agosto chegando e, com ele, a chance de programar um destino novo. A Argentina vive nos meus planos, mas confesso que ainda me falta um tanto de coragem pra pisar em terra estrangeira de verdade. Fui pesquisar o roteiro esperando ganhar coragem. Ganhei outra coisa.

Resumo do plano

Quando: agosto, se o bolso deixar.

O que está na mesa: Argentina de carro ou Ceará de novo.

O que me pegou: três erros meus, todos descobertos antes de sair de casa.

O Atacama que, na verdade, era Patagônia

Escrevi este texto pensando alto, então já começo me corrigindo. Fui pesquisar o trajeto e a ficha caiu: o que eu quero conhecer é a Patagônia. O Atacama fica no Chile. Outro país, outro roteiro, outra viagem, outro dinheiro.

Deixo o erro registrado de propósito. Planejar viagem é isso mesmo, um monte de ideia solta rodando na cabeça que vai ganhando forma quando a gente senta e pesquisa direito. Enquanto a viagem existe apenas na imaginação, tudo fica perto e tudo cabe em dez dias.

A região dos oito lagos que tem sete

Tem uma região da Argentina que eu jurava chamar região dos oito lagos. São sete. A Rota dos Sete Lagos percorre cerca de 110 quilômetros da Ruta 40, entre San Martín de los Andes e Villa La Angostura, na província de Neuquén, atravessando dois parques nacionais.

O caminho por si já parece uma aventura completa, e cada lago promete ser mais bonito que o outro. Eu tinha reservado dez dias pra conhecer aquilo. Descobri que o trecho em si a pessoa faz num dia, e que o passeio rende bem melhor em três ou quatro, com paradas nos mirantes e um tempo em cada cidade das pontas.

Quer dizer que meus dez dias nunca foram dos lagos. Eram de chegar lá e voltar.

A conta de quilômetros que eu não tinha feito

Minha dúvida original era simples e prática: ir de carro daqui de Cascavel ou voar até Buenos Aires e alugar um carro por lá, fugindo das diárias de locadora. Eu achava que daqui até Buenos Aires davam umas dez horas.

Não dão. De Foz do Iguaçu até Buenos Aires já são cerca de 1.290 quilômetros e algo entre 14 e 16 horas de direção. Somando o trecho de Cascavel até Foz, a viagem passa de 1.400 quilômetros e beira as 17 horas reais, contando fronteira, parada pra comer e trânsito de cidade grande. Isso não é um dia de estrada. São dois.

E tem o detalhe que desmonta a pergunta inteira: a região dos lagos fica a mais de 1.600 quilômetros de Buenos Aires. Quem está indo pros lagos e passa pela capital está fazendo um desvio considerável, daqueles que custam dias e combustível. Minha pergunta estava mal feita desde o começo, porque partia de uma rota que não era a rota.

Mesmo assim, sigo achando que preciso ir e tirar minhas próprias conclusões. Já me disseram que daqui até a capital argentina não tem quase nada de interessante pra ver. Desconfio dessas frases. Quase sempre elas dizem mais sobre quem passou correndo do que sobre o lugar.

Ushuaia, a neve e um balde de água fria

Vi um vídeo de Ushuaia esses dias e fiquei impressionado. Que lugar diferente. Parece que a pessoa está na Antártida, e nem é tão longe assim pra quem mora no sul do Brasil.

Aí veio a pergunta que me animou de verdade: será que em dezembro tem neve por lá? Eu nunca vi neve na vida, e já ia montando na cabeça as imagens que gravaria, a primeira vez pisando em terra congelada, minha era do gelo particular.

Pois é. Dezembro em Ushuaia é verão. As máximas ficam entre 12 e 15 graus, as mínimas rondam os 5, e a cidade vive a alta temporada com dias de quase 17 horas de luz. Nevasca fora de época pode acontecer, porque o clima ali é imprevisível, mas planejar em cima disso é loteria. Pra ver neve com alguma garantia, a janela vai de julho até meados de setembro.

Traduzindo: o mês da viagem que eu quero é agosto. O mesmo vale pra Bariloche, que na minha cabeça faz sentido mesmo é na temporada de neve.

Continuo querendo gravar aquele vídeo numa praça congelada, com um livro do Laurentino Gomes na mão e uma canção do Djavan no fone, dessas que combinam com dia frio e um bom lugar pra ler um livro. Agora eu sei em que mês essa cena existe.

O Ceará pesa por outro motivo

Dois lugares eu amo de paixão visitar: Bahia e Ceará. E o Ceará já faz alguns anos que não vejo. Estou com síndrome de abstinência do estado.

Mas agora mudou uma coisa. Tenho um irmão morando por lá, e a ligação com o estado aumentou. Tenho também um amigo de infância que passou recentemente por um problema grave de saúde, e seria muito bom conversar com ele pessoalmente.

Fica a dúvida: explorar mares nunca dantes navegados ou rever amigos, familiares e relembrar dias memoráveis?

Carrego comigo que a gente não tem todo o tempo do mundo e que a Terra é grande demais e pouco explorada. Entra aquela conversa de que, se voltamos muitas vezes ao mesmo lugar, perdemos a chance de conhecer o que ainda não vimos. E quando a gente pisa num lugar novo, a cabeça abre de um jeito que fica difícil explicar por escrito.

Escrevendo isso me caiu outra ficha. Esse argumento do tempo curto pesa dos dois lados. Os lagos e as montanhas que o Criador colocou na Patagônia vão continuar lá em 2030 e em 2045, exatamente iguais. As pessoas seguem outro calendário, e esse ninguém controla.

O espanhol, que rendeu a melhor descoberta

Tenho estudado espanhol pelo Duolingo e cheguei a uma conclusão: não é tão difícil quanto eu imaginava, nem tão fácil quanto muita gente jura. Boa parte do vocabulário é parecida, mas a pronúncia precisa sair limpa, senão o nativo não entende.

E tem uma assimetria curiosa aí. O brasileiro entende bastante espanhol de primeira. Quem fala espanhol costuma penar bem mais com o português. Isso me deixou com a pulga atrás da orelha e ainda quero entender direito o porquê.

De todo jeito, a Argentina é a porta de entrada mais suave que existe pro brasileiro que nunca saiu do país. Já estive em Ciudad del Este, aqui na divisa, mas pra mim aquilo não conta como sair do Brasil de verdade.

Se você também está montando essa viagem, olha isso aqui

Conte a estrada em dias, não em horas: 16 horas de direção parece pouco escrito no papel. Na prática são dois dias da sua viagem indo e mais dois voltando, e ninguém coloca isso na planilha do sonho.

Confira o mês do vídeo que te animou: foi o erro que quase me custou a viagem inteira. Hemisfério sul brinca com a cabeça de quem cresceu vendo neve em dezembro nos filmes americanos.

Buenos Aires como escala pros lagos: na minha opinião, atrapalha mais do que ajuda. São mais de 1.600 quilômetros da capital até a região, e aí a pessoa fez duas viagens caras em vez de uma bem feita.

Duolingo não conserta pronúncia: ele te dá vocabulário e coragem pra tentar. Falar de um jeito que o nativo entenda é outro treino, e esse o aplicativo não cobra de você.

Vamos ver o que o futuro reserva

Pois é, pessoal. Opção não falta. O que falta mesmo é coragem e, principalmente, dinheiro.

Se eu tivesse que apostar hoje, diria que o Ceará vem primeiro, pelo motivo mais humano possível, e a Patagônia vem depois, planejada com calma, no mês certo e com o espanhol mais afiado.

E tu, quando o dinheiro dá pra uma viagem por ano, tu volta pro lugar que ama ou arrisca o que nunca viu? Deixa aí nos comentários. Um forte abraço e até o próximo post.

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