Pular para o conteúdo

Roteiro Minas e Bahia: Dicas para Viajar de Carro Gastando Pouco

·13 min de leitura·por Helio Pere
Roteiro Minas e Bahia: Dicas para Viajar de Carro Gastando Pouco

Sabe quando a gente tá com a mala meio pronta e o coração 100% pronto? Pois pronto: semana que vem eu e a família tamo de partida rumo a Minas e Bahia, e essa série de vídeos e textos vai sair do jeito que eu gosto… com destino, mas sem garantia de juízo. Tive o privilégio de organizar mais essa jornada, e já vou te adiantando: a expectativa tá maior que fila de banco em dia de pagamento.

Eu tô empolgado que só, porque eu acho que o Brasilzão tem dessas: toda vez que a gente sai de casa com a câmera na mão, volta diferente. Eu sou cearense, tô morando no Paraná há 13 anos, e sigo com a filosofia mais simples e mais verdadeira que eu conheço: “Eu vim ao mundo a passeio”. E se a gente não passear, meu amigo, a vida passa e a gente nem viu a cor dela.

Acontece que viagem é aquele trem: você planeja uma coisa e na estrada nasce outra. E eu já vou avisando: ainda tô postando vídeos lá do comecinho da última viagem pros Lençóis Maranhenses e São Luís, então não me aperreie muito não, porque gravar é uma coisa… editar é outra história, e a rapadura é doce, mas não é mole. Mas, como diz o ditado, melhor pingar do que secar, né não?

Quem vai nessa viagem (e a decisão difícil de quem ficou)

Dessa vez a trip vai com minha sobrinha junto, colada, do jeito que adolescente cola quando vê que vai ter estrada, lanche e umas paradas diferentes. Ela tá com 16 anos agora, e vou te dizer, a energia dela é mais alta que preço de pedágio em feriado. É aquela fase em que tudo é novidade, e eu fico só observando, lembrando de quando eu tinha essa idade lá no Ceará e o mundo parecia infinito.

Eu até pensei em levar minha mãe, mas aí entrou a voz da razão (minha irmã) dizendo que, com 80 anos, melhor deixar as aventuras mais longas pra outra hora. Eu concordei, embora com o coração apertado, porque tem coisa que a gente aprende com o tempo: coragem não é fazer tudo; coragem também é saber a hora de não arriscar. Minha mãe é daquelas que topa tudo, mas estrada longa, com o sol do sertão e o "balança-mas-não-cai" de algumas rodovias, exige uma resistência que a gente precisa preservar.

E no meio disso tudo, minha digníssima já tá naquela função de gerente de logística: “tu não vai esquecer nada, né Hélio?”, enquanto eu finjo organização, mas por dentro tô contando se o cartão de memória tá no bolso, se as baterias do Mangabinha (meu drone guerreiro) estão carregadas e se eu não esqueci a escova de dentes pela décima vez.

Os destinos possíveis (e a verdade sobre o “possível”)

A lista de ideias tá grande, e eu gosto assim, porque me dá a sensação de que eu mando na viagem… mesmo sabendo que quem manda é o asfalto e os imprevistos. A gente traça uma linha no mapa, mas são as paradas não planejadas que fazem a história render.

Olha só o que tá rondando minha cabeça e o GPS:

  • Londrina: Pra dar aquela aquecida no rolê. Sair do Paraná sem uma parada em Londrina é como pão de queijo sem café: fica faltando um pedaço. É uma cidade que eu admiro demais.
  • Poços de Caldas: Com aquele clima de cidade que parece que tá sempre num domingo à tarde. A ideia é relaxar um pouco antes de pegar o estradão pro Nordeste.
  • Tiradentes: História pura, rua de pedra e aquele silêncio bonito que dá vontade de andar devagar e falar baixo.
  • Diamantina: Só de falar o nome já parece que a cidade tá cantando uma seresta em algum canto. Tenho uma curiosidade enorme de ver como a natureza e a história se misturam por ali.
  • Chapada Diamantina: Com promessa de cachoeira gigante e trilha que testa a humildade do ser humano. Eu mesmo não sou de esportes radicais, vocês sabem, mas ver aquela imensidão é algo que renova a alma.
  • Região de Jacobina: Que eu tô com vontade de cruzar sem pressa, pegando conversa, pegando estrada, pegando poeira e comendo fruta do pé.
  • Litoral da Bahia: Talvez um esticão, se o tempo, o bolso e a disposição fizerem um acordo de paz.

Rapaz, o problema é que eu olho essa lista e fico igual menino em loja de doce: querendo tudo, sabendo que não dá pra levar a prateleira inteira. E aí que tá: o que vai rolar de verdade? Sei não, viu. Viagem é uma caixinha de surpresa, e eu já aceitei isso faz tempo.

Um plano “econômico” do jeito que dá

Deixe comigo que eu te explico como eu penso o roteiro quando a ideia é economizar sem virar um monge da estrada passando necessidade. A gente trabalha duro, mas dinheiro não aceita desaforo, né não?

Eu tento seguir umas regras simples, que aprendi depois de muita rodagem e uns perrengues que custaram caro:

  1. Andar mais de dia do que de noite: Cansa menos, é mais seguro e rende mais imagem bonita pro canal. Estrada à noite no Brasil é loteria, e eu não sou jogador.
  2. Hospedagem honesta: Dormir em lugar limpo e simples. Sem frescura de hotel cinco estrelas, mas sem o sofrimento gratuito de lugar que nem a vigilância sanitária entra. O chuveiro tem que ser quente e a cama tem que abraçar as costas cansadas.
  3. Comida de verdade: Comer o que enche o bucho e abraça a alma. Em Minas, um pão de queijo quentinho com café em qualquer padaria de esquina vale mais que almoço gourmet. Na Bahia, uma cocada e um suco de umbu gelado na beira da estrada lembram a gente que viver é bom demais.
  4. Orçamento fatiado: Dividir a grana em “combustível + hospedagem + alimentação + passeios”, e deixar uma gordurinha pro imprevisto (porque sempre tem um pneu, uma taxa extra ou um doce que a gente não resiste).

Eita coisa boa quando a gente encontra uma pousadinha com preço justo — daqueles que a gente paga sorrindo —, um chuveiro decente e um silêncio que dá até pra ouvir a própria respiração. Nessas horas eu penso: “é disso que eu preciso”.

E claro: o drone Mangabinha vai junto. Se ele voar bonito e o vento ajudar, vocês vão ver Minas e Bahia daquele jeito que dá vontade de entrar na tela e andar por dentro da paisagem. As imagens que captei na última viagem ficaram sinistras, e a meta agora é superar.

O coração puxando pra Caculé (O Reencontro)

Tem uma parte dessa viagem que não é só turismo, não. É memória. É raiz.

Eu quero passar novamente em Caculé. Quem me acompanha faz tempo sabe: ali tem um pedaço da minha infância guardado, e eu tenho uma vontade danada de “renovar” essas lembranças, como quem abre uma caixa antiga e sente o cheiro do tempo.

Eu estive lá em 2023. Rapaz... quando pisei naquela terra depois de quase 40 anos, foi um negócio que mexeu comigo de um jeito que eu nem sei explicar direito. Era um mundo totalmente diferente do de hoje quando eu era menino. Tudo mais analógico, offline, sem essa ansiedade de notificação apitando no bolso a cada dois segundos. Naquele tempo, o entretenimento era inventar brincadeira na rua, olhar o céu estrelado (que lá parece ser mais perto da gente), ouvir história dos mais velhos na calçada, comer uma coisa simples e ficar satisfeito.

Vou te contar, viu: isso dá uma saudade que aperta sem pedir licença. Em 2023, eu andei por aquelas ruas tentando achar o menino Hélio em cada esquina. E achei. Achei na poeira, no sotaque, no jeito acolhedor do povo.

Agora, levando minha sobrinha, a sensação é outra. É a de passar o bastão, de mostrar pra ela: "Ó, foi aqui que teu tio aprendeu a ver o mundo". Talvez eu chegue lá e não seja exatamente como era (porque a vida anda, as cidades crescem, o asfalto chega). Mas só de pisar de novo e ver as ruas, ouvir o jeito cantado do povo falar, sentir o calor no fim da tarde e aquela poeira fininha subindo quando passa carro… pronto: já vale a viagem toda.

Mini-guia turístico (Do meu jeito)

Como eu sei que tem gente que lê e já vai anotando pra fazer igual (e eu recomendo que faça mesmo, porque viajar é o melhor investimento), aqui vai um mini-guia bem direto, com clima, sensação e umas ideias do que fazer sem estourar o orçamento da família.

📍 Poços de Caldas (MG)

Clima: Geralmente mais fresco, aquele ar de cidade de serra que dá vontade de botar um casaco e fingir elegância, mesmo a gente sendo do Ceará e acostumado com o solzão.

O que fazer: Caminhar sem pressa pelo centro, procurar o Relógio Floral, tomar um café com doce de leite (obrigatório!) e deixar a conversa render na Praça Pedro Sanches.

Dica econômica: Escolha atrações ao ar livre. As praças e parques são as verdadeiras joias da cidade e custam zero reais. Cidade gostosa é cidade que se vive a pé.

📍 Tiradentes (MG)

Sensação: Rua de pedra "pé-de-moleque" que faz massagem no pneu do carro (e no pé da gente), casario e construções históricas, aquele “silêncio barulhento” de turismo — tem gente, mas parece que o tempo baixa o volume pra respeitar a história.

O que fazer: Bater perna no centrinho histórico, fotografar os detalhes das janelas e portas coloridas, entrar em museus e espaços históricos (respeitando o patrimônio e a arte), procurar artesanato local nas lojinhas escondidas.

Dica econômica: Vá cedo pra aproveitar a luz boa pras fotos e escapar dos preços inflados de horário de "pico" nos restaurantes. Um pastel de angu na mão vale por um jantar se a fome for de experiência.

📍 Diamantina (MG)

Sensação: História viva pulsando. Parece que em qualquer esquina alguém vai puxar um violão e começar uma seresta. É o lugar onde Juscelino Kubitschek começou a sonhar grande.

O que fazer: Caminhar pelo centro histórico (Patrimônio da Humanidade, viu?), visitar a Casa da Glória com aquele passadiço que é cartão-postal, e se tiver o privilégio, assistir a uma Vesperata.

Dica econômica: Às vezes o melhor “passeio” é gratuito: sentar num banco, observar o movimento e deixar a cidade te contar a história dela. E comer um queijo local, claro.

📍 Chapada Diamantina (BA)

Sensação: Natureza em forma de pedra, água e horizonte infinito. Tudo junto. A gente fica pequeno de um jeito bom, lembrando que somos só passageiros aqui.

O que fazer: Escolher bem as trilhas. Tem opção pra todo fôlego. Respeitar o limite físico é lei. Começar por passeios mais curtos se tiver com jovem na equipe (e eu tô) ou se o sedentarismo estiver gritando.

Dica econômica: Nem toda cachoeira exige guia caro, mas segurança vem primeiro. Pesquisar antes e perguntar pros locais ("onde que o povo da cidade vai?") ajuda demais a achar lugares bons e baratos.

📍 Jacobina e Região (BA)

Sensação: Bahia de interior com estrada boa e conversa melhor ainda. Daquelas cidades que te recebem com um "de onde você vem, meu rei?" e terminam te dando dica de um lugar escondido que nem no Google tá.

O que fazer: Explorar sem pressa, procurar a feira livre (eu amo feira, é onde a vida real acontece), provar fruta da estação que você nunca viu na vida.

Dica econômica: Lanche de mercado e parada estratégica em barraca de fruta salvam o orçamento mais do que qualquer milagre financeiro. O preço é outro.

A parte engraçada (e levemente trágica) da edição

Agora, deixa eu abrir o jogo com vocês, porque aqui a gente não esconde nada: vida de viajante que também é editor de vídeo não é fácil, não. É sinistro de trabalhoso.

Eu gravo achando que vou editar rápido. Na minha cabeça, é tudo lindo: chego no hotel, descarrego, edito e posto. A realidade? Eu volto, abro o computador, vejo a quantidade de arquivo — gigas e gigas de vídeo em 4K — e já fico querendo tomar um café e fingir que não vi nada. E tem mais: organizar cartão de memória é fácil; difícil é organizar a cabeça pra montar a história.

Às vezes eu me sinto um “homem de duas vidas”: na estrada eu sou o Hélio animado, subindo pedra, inventando ângulo, chamando a sobrinha pra aparecer no vídeo (ela finge que não gosta, mas gosta), levantando o Mangabinha pra fazer aquele take aéreo absurdo. Em casa (ou no quarto da pousada), eu viro um ser humano com olheira, negociando com a linha do tempo do editor como se fosse feira de Caruaru: “me dê um corte aqui, um ajuste ali, e a gente fecha o vídeo”.

Mas no fim das contas, eu amo essa rotina doida. Porque quando o vídeo sai e eu vejo o comentário de vocês dizendo que viajaram junto comigo, eu lembro por que eu comecei: pra registrar, pra inspirar, pra mostrar que dá pra viajar de um jeito simples, com humor, com verdade e sem gastar o que não tem.

Reflexão de estrada (Daquelas que chegam sem avisar)

Tem uma coisa que eu aprendi com esse tanto de caminho rodado, e queria dividir com vocês.

A gente acha que viaja pra conhecer lugar novo, pra tirar foto bonita, pra postar no Instagram. Mas, no fundo, a gente viaja pra conhecer fases da gente mesmo. A estrada é um espelho.

A viagem da semana que vem tem tudo pra ser especial por causa disso: Minas mexe com lembrança de família, de simplicidade, de café passado na hora. A Bahia mexe com minha raiz, com minha infância, com o sol que me viu crescer. E quando entra uma sobrinha adolescente na equação, entra também um lembrete bonito de que o tempo tá passando rápido demais, e que a gente precisa criar memória boa enquanto dá. Daqui a pouco ela cresce, ganha o mundo, e o que vai sobrar são essas histórias de tio e sobrinha perdidos em alguma estrada de terra.

Então eu vou com o pé no chão e a cabeça nas nuvens (mas nuvem de ideia, não de ilusão). Se der tudo certo, vocês vão ver cachoeira grande, rua histórica, comida simples e muita estrada. Se der “tudo diferente” (pneu furado, chuva, erro de rota), vocês vão ver também — porque eu não sou desses que só mostra o lado bonito não. A vida real é feita de perrengue também, e a gente ri deles depois.

Me diga aí

E você, meu jovem, já tem planos pra esse final de ano? Vai pegar estrada, vai descansar em casa, vai visitar a parentada, ou vai inventar moda igual a mim?

Conta aí nos comentários: qual cidade você recomenda em Minas ou na Bahia que seja diferente e econômica? Daquelas que quase ninguém fala, mas quando a gente chega… pronto, o coração agradece e o bolso não reclama. Vem comigo que essa série vai render história, e eu quero vocês juntos nessa garupa virtual!

Gostou? Compartilhe com quem vai curtir

Comentários

Seja o primeiro a comentar

Sua opinião sobre o destino, uma dúvida, uma correção — tudo é bem-vindo.

Aparece junto do comentário.

Nunca aparece no site.

0/3000

Todo comentário passa por aprovação antes de aparecer.

Continue lendo sobre Breaking News