Tchau Porto Seguro: Serra do Marçal e Vitória da Conquista

Tem despedida que a gente ensaia na cabeça e, quando chega a hora, descobre que nenhum ensaio prepara pra aquele aperto no peito. Foi exatamente o que aconteceu no dia 29 de dezembro de 2025, nosso último dia em Porto Seguro. A gente acordou no hotel Rede Andrade sabendo que, dali a poucas horas, a estrada ia engolir tudo aquilo que a gente viveu nos últimos seis dias: praias, balsas, engarrafamentos, sucos de cajá, pôr do sol na travessia e até cachaça no dedo machucado. Eu vim ao mundo a passeio, e Porto Seguro confirmou isso de um jeito que vai ser difícil de superar.
Se você leu o post anterior, sabe que o dia 28 foi intenso de com força: café da manhã debaixo de árvore, Praia da Pitanga com água gelada, almoço pra 3 pessoas por R$ 30,00 e a Passarela da Cultura até quase meia-noite. Pois o dia 29 não ficou atrás. Teve gravação de despedida na beira da praia, estrada sinuosa na Serra do Marçal, imagens aéreas com o Mangabinha numa paisagem absurda de bonita, Cristo, pôr do sol, feira e um apartamento pelo Airbnb que custou R$ 160,00 a noite e deixou todo mundo impressionado.
Se você está planejando uma viagem de carro pelo sul da Bahia e quer saber como é a estrada de Porto Seguro até Vitória da Conquista, fica comigo até o final. Tem curva, tem emoção e tem dica que vale ouro.
Resumo do dia 29/12
Hospedagem anterior: Hotel Rede Andrade (última diária em Porto Seguro)
Café da manhã: No hotel, mas com iogurte estragado pra sobrinha
Despedida: Gravação emocionante na beira da praia
Rota: Porto Seguro até Vitória da Conquista (via Serra do Marçal)
Destaque do caminho: Serra do Marçal com curvas sinuosas e imagens aéreas com o Mangabinha
Vitória da Conquista: Mercado Municipal, Cristo (mirante), pôr do sol, feira, luzes da cidade
Hospedagem: Airbnb por R$ 160,00/noite (apartamento completo pra 3 pessoas)
Noite: Barraquinhas de lanche, Avenida das Flores iluminada
O café da manhã com surpresa desagradável
A gente acordou cedo naquele dia. Era a última manhã em Porto Seguro e o sentimento já estava diferente. Sabe quando você olha pro quarto do hotel sabendo que dali a pouco vai fechar a mala pela última vez? Pois é. O café da manhã estava incluso dessa vez, já que voltamos pro Rede Andrade. Mas logo de cara veio o primeiro perrengue do dia: o iogurte que minha sobrinha Marianny pegou pra tomar estava estragado. Começou bem, né não?
A gente relevou, tomou o café e começou a arrumar tudo. Foram seis dias em Porto Seguro, então imagina só a quantidade de roupa, equipamento, drone, câmera, carregador, powerbank. Organizar aquele carro foi quase um jogo de tetris. Mas a gente já tinha prática.
A despedida na beira da praia
Antes de pegar a estrada, a gente fez questão de ir até a beira da praia pra gravar uma despedida. Tive o privilégio de passar seis dias nessa cidade que me surpreendeu do primeiro ao último minuto, e não podia ir embora sem registrar aquele momento.
Minha esposa, minha sobrinha Marianny e eu ficamos ali, com os pés na areia, gravando, tirando fotos, olhando pro mar como quem não quer ir embora. E a verdade é que a gente não queria. Porto Seguro entrou no nosso coração de um jeito que é difícil explicar com palavras. A gente viveu tanta coisa ali: desde a Praia do Mucugê e dos Pescadores no dia 24, passando pelo passeio de barco até Trancoso, o Caminho de Moisés, a Praia da Pitanga, até as noites na Passarela da Cultura tomando suco de cajá. Cada dia deixou uma marca.
Ficamos quase uma hora ali, sem pressa. Gravar aquela despedida foi importante pra gente. É triste a dor do parto, mas estava na hora de zarpar.
A decisão na estrada: por onde voltar?
Olha só, essa parte foi interessante. Depois de sair da praia, a gente ficou um bom tempo dentro do carro decidindo qual caminho pegar pra voltar. Na ida, como já contei aqui no blog, a gente enfrentou a rota de Pedra Azul com mais de 200 km de estrada de terra que quase acabou com o carro. Repetir aquilo? Nem que a vaca tussa!
A gente parou e perguntou pra algumas pessoas, inclusive um caminhoneiro, qual seria a melhor estrada. A indicação foi unânime: vai por Vitória da Conquista. A estrada é asfaltada, mais segura, e passa pela Serra do Marçal. "Só toma cuidado com as curvas", disse o caminhoneiro. Anotado.
Seguimos então rumo a Vitória da Conquista. A decisão de mudar a rota original e vir pra Porto Seguro já tinha sido a melhor escolha da viagem. Agora, voltar por Conquista se mostrou igualmente acertado.
Serra do Marçal: beleza e adrenalina na mesma curva
Gente do céu, que serra é essa! A Serra do Marçal fica no trecho entre Porto Seguro e Vitória da Conquista, e eu preciso ser honesto: quem tem medo de curva, vai sofrer ali. São várias curvas fechadas, uma atrás da outra, num trecho de serra que exige atenção total no volante. Não é brincadeira. Eu já dirigi em muita estrada complicada nessa vida, mas a Serra do Marçal testou meus nervos de com força.
Acontece que, no meio daquele desafio todo, a paisagem que apareceu foi de outro mundo. A vegetação muda, o relevo vai se transformando, e quando você olha pra baixo, lá do alto da serra, o cenário é impressionante. Foi ali que a gente decidiu parar o carro e subir o Mangabinha.
Vou te contar, viu: as imagens aéreas que o drone capturou na Serra do Marçal ficaram entre as mais bonitas de toda a viagem. E olha que a gente já tinha voado o Mangabinha em Coroa Vermelha, na Praia da Pitanga, em Trancoso e em vários outros lugares. Mas ali, naquela serra, com as curvas serpenteando pela montanha e a vegetação densa cobrindo tudo, foi diferente. O contraste entre o verde escuro da mata e o cinza da estrada criou um visual absurdo de bonito. Eu digo absurdo!
Dica pra quem vai dirigir na Serra do Marçal: vá com calma, respeite as curvas e, se possível, faça o trecho durante o dia. À noite, sem iluminação, a serra fica perigosa. E se você tiver um drone, pare num local seguro e faça imagens. Você não vai se arrepender.
Chegada em Vitória da Conquista: mercado, Cristo e pôr do sol
Depois de vencer a serra, chegamos em Vitória da Conquista. E olha que coincidência: paramos direto no Mercado Municipal. A feira ainda estava funcionando e a gente aproveitou pra fazer filmagens ali dentro. Mercado municipal é uma das coisas que eu mais gosto de visitar em qualquer cidade. Você encontra o povo real, os preços reais, as frutas e temperos da região. E em Conquista não foi diferente. Muita variedade, muita gente, aquela energia de cidade grande do interior da Bahia.
Depois da feira, fomos pra um dos pontos mais bonitos da cidade: o monte onde fica o Cristo. Se você já visitou Vitória da Conquista, sabe do que eu estou falando. E se não visitou, coloca na lista. A gente subiu até o mirante e ficou ali esperando o pôr do sol. E que pôr do sol! O céu abriu num espetáculo de cores que só quem está no alto de um mirante consegue apreciar por completo.
Subi o Mangabinha mais uma vez. As imagens aéreas do Cristo com o pôr do sol ao fundo ficaram sinistras. Minha esposa fez vídeos com a câmera normal, minha sobrinha tirava fotos, e eu lá em cima com o drone tentando capturar cada segundo daquele momento. Privilégio é pouco pra descrever o que a gente viu ali.
O Airbnb de R$ 160,00 que ninguém esperava
Depois do pôr do sol, fomos pro nosso Airbnb. E aqui vem a surpresa boa do dia. A gente pagou R$ 160,00 a noite pra três pessoas num apartamento que surpreendeu todo mundo.
O apartamento ficava no segundo andar. Muito limpo, bem organizado, dois quartos, banheiro completo. Uma casinha toda equipada. A pessoa que alugou foi muito educada, deu várias dicas de passeio na cidade, atendimento excelente. Minha esposa, que é exigente com limpeza e organização, aprovou de primeira. E quem conhece minha digníssima sabe que isso não é pouca coisa.
Só que teve um perrengue: a gente teve dificuldade pra entrar porque a chave abria dois portões no mesmo local. Ficamos ali tentando, sem entender direito o esquema da fechadura, até que conseguimos resolver. Pequeno detalhe que não tirou o brilho do lugar.
Mas nem tudo é flores. Nessa viagem ficamos num hotel que só a misericórdia. Vou te contar, mas vai ser nos próximos posts.
Dica de hospedagem: se você está passando por Vitória da Conquista, procure no Airbnb. Por R$ 160,00 a noite pra três pessoas, a gente encontrou um apartamento completo, limpo e com ótima localização. Fora dos grandes centros turísticos, o Airbnb costuma oferecer opções muito melhores do que hotel pelo mesmo preço.
Noite em Conquista: luzes, lanches e a Avenida das Flores
Depois de deixar as malas no apartamento, a gente saiu pra conhecer a cidade à noite. Minha esposa confessou que estava um pouco assustada com as ruas, pois não conhecia a cidade. Mas a gente chegou no centro e foi caminhando e logo encontrou umas barraquinhas com lanches.
A cidade estava bem iluminada, como acontece em todo fim de ano. Fizemos gravações, tiramos fotos, e a cidade estava bonita. Conquista é uma cidade grande, com mais de 400 mil habitantes, e nessa época do ano estava toda enfeitada. Depois das fotos, voltamos pras barraquinhas e comemos uns lanches.
Pra fechar a noite, fomos procurar a Avenida das Flores. Quando chegamos lá, entendemos o motivo do nome. A avenida estava toda iluminada, muito bonita, uma das principais da cidade. Fizemos a filmagem da avenida inteira. Show de bola. Depois, voltamos pro apartamento pra descansar. O dia tinha sido longo, intenso, e a gente precisava recarregar as energias pro dia seguinte.
Mini-guia: o que fazer em Vitória da Conquista em poucas horas
Se você está de passagem por Vitória da Conquista, como a gente estava, dá pra aproveitar bastante em pouco tempo. Aqui vão algumas dicas práticas:
Mercado Municipal: vá sem pressa. Tem de tudo: frutas regionais, temperos, comidas prontas. É ótimo pra sentir o pulso real da cidade.
Mirante do Cristo: vá no fim da tarde pra pegar o pôr do sol. A vista é impressionante e rende fotos incríveis. Se tiver drone, melhor ainda.
Avenida das Flores: à noite, vale a caminhada. Especialmente em dezembro, com as luzes de Natal.
Hospedagem: Airbnb com ótimas opções a partir de R$ 160,00/noite pra até 3 pessoas.
Barraquinhas de lanche: espalhadas pela cidade, com preços acessíveis. Ótima opção pra uma janta rápida e econômica.
Quanto gastamos nesse dia: os números reais
Resumo de gastos – Dia 29/12
Café da manhã: Incluso no hotel Rede Andrade
Combustível: Porto Seguro até Vitória da Conquista (aproximadamente 500 km)
Mercado Municipal (Conquista): Passeio gratuito
Mirante do Cristo: Acesso gratuito
Lanches noturnos: Barraquinhas (15 pila um salgado com um suco)
Hospedagem Airbnb: R$ 160,00/noite (3 pessoas, apartamento completo)
Destaque: o Airbnb por R$ 160,00 pra três pessoas em Vitória da Conquista prova que dá pra encontrar hospedagem de qualidade fora dos grandes polos turísticos. Pesquisar bem é a chave.
A despedida de Porto Seguro: o que ficou
Sei não, viu, mas sair de Porto Seguro não foi fácil pela beleza do lugar. Foram seis dias que mudaram a forma como eu enxergo viagem de carro pelo Brasil. A gente chegou ali depois de uma estrada de terra que quase destruiu o carro, sem saber se ia ficar mais de dois dias, e acabou vivendo uma das experiências mais completas que já tivemos.
Conhecemos praias que não estão nos roteiros turísticos. Comemos por preços que provam que é possível viajar sem quebrar o bolso. Fizemos amizades rápidas com pessoas simples e generosas, como a dona do restaurante em Arraial que curou meu dedo com cachaça. Gravamos horas e horas de conteúdo que vão virar vídeos incríveis pro canal. E, principalmente, criamos memórias que vão nos acompanhar por toda a vida.
Porto Seguro exigiu da gente. Exigiu paciência na fila da balsa, criatividade na hora de comer, jogo de cintura pra conseguir hospedagem na alta temporada. Mas cada esforço foi recompensado com um pôr do sol, uma praia nova, uma risada na Passarela da Cultura.
E você, já teve que se despedir de um lugar que entrou no seu coração assim? Me conta nos comentários qual foi a despedida mais difícil de uma viagem. Quero saber!
No próximo post: Vitória da Conquista por dentro
No dia 30 de dezembro, antes de pegar a estrada, a gente acordou cedo e foi conhecer Vitória da Conquista com calma. Teve café com leite na barraca de uma senhora idosa que contou histórias da vida inteira na cidade. Teve o umbu mais barato da viagem: R$ 3,00 o litro. Teve Ceasa, um vendedor chamado Vaso que faz uma umbuzada que eu aprovei em vídeo, e ainda sobrou tempo pra seguir viagem até Brumado, onde almoçamos no Restaurante Popular por R$ 3,00 com suco e sobremesa. Isso mesmo: três reais. Se você acha que leu errado, não leu. É isso mesmo que você leu. E tem Chapada Diamantina no horizonte.
Se você quer saber como a gente descobriu um vendedor de umbuzada no Ceasa e almoçou por R$ 3,00 em Brumado, não perde o próximo post. Vai valer cada minuto de leitura.
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