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Último dia em Porto Seguro e gastei menos de R$ 20

·12 min de leitura·por Helio Pere
Último dia em Porto Seguro e gastei menos de R$ 20

Tem turista que planeja o último dia de hotel como se fosse uma operação militar. Eu? Eu planejei o meu com chinelo, drone e zero protetor solar. Spoiler: deu ruim em pelo menos duas dessas escolhas. Mas as imagens que trouxe de volta? Só o mii disbuiado.

Era 27 de dezembro de 2025, nosso último dia no hotel Rede Andrade, em Porto Seguro, e a missão era clara: voltar ao Caminho de Moisés, em Coroa Vermelha, dessa vez com o drone funcionando, gravar tudo que ficou pendente e curtir a praia como se não houvesse amanhã. Eu vim ao mundo a passeio, e nesse dia resolvi que o passeio ia ser completo — com direito a imagens aéreas, ataque surpresa de formigas, queimadura de sol pra três pessoas e uma feirinha que vale cada minuto do seu tempo. Tudo isso gastando menos de 20 pila por cabeça.

Vem comigo que hoje a história tem de tudo: adrenalina, perrengue e aquela beleza baiana que deixa a gente sem palavras.

Resumo do dia

  • O quê: Imagens aéreas da Orla de Porto Seguro, feirinha de Coroa Vermelha, Caminho de Moisés, banho de mar e lanche no centro
  • Onde: Porto Seguro e Coroa Vermelha, Santa Cruz Cabrália (BA)
  • Quando: Sábado, 27/12/2025
  • Quem: Eu (Hélio), minha esposa e nossa sobrinha Marianny
  • Destaque: As imagens aéreas do Caminho de Moisés e da Orla — material de capa
  • O perrengue: Ataque de formigas no pé, queimadura de sol intensa nos três e trânsito pesado
  • Hoje: Dicas de protetor solar, alimentação econômica e como fugir do trânsito na alta temporada

A manhã começou devagar — e foi proposital

Sabe aquele dia que você acorda e o corpo diz "hoje não tem pressa"? Foi exatamente assim. Tomamos café da manhã no hotel com calma, sem correria, saboreando cada fatia de pão com manteiga como se fosse a última (e era, pelo menos naquele hotel). A gente sabia que era o último dia no Rede Andrade e queria aproveitar o café incluído na diária antes de cair na estrada.

Rapaz, o Rede Andrade Porto Seguro já é velho conhecido nosso. Já nos hospedamos em hotéis da rede em Manaus e Belém do Pará — lá em Manaus, inclusive, ficamos num Rede Andrade que eu mostrei no canal do YouTube e o custo-benefício era sinistro de bom. É aquele tipo de hotel sem frescura: cama limpa, ar-condicionado funcionando e café da manhã razoável. Pra quem viaja no modo econômico como a gente, é mais do que suficiente. Não precisa de piscina com borda infinita nem de toalha em formato de cisne (até porque, né, com o orçamento que a gente trabalha, o cisne vira galinha rápido).

Depois de arrumar as malas, saímos com destino à praia de Coroa Vermelha. Acontece que, no caminho, apareceu algo que eu não planejei — e que rendeu algumas das melhores imagens da viagem inteira.

A parada que rendeu imagens incríveis — e uma dor absurda

No caminho para Coroa Vermelha, passamos por um ponto que dava uma vista privilegiada da Orla de Porto Seguro. Era um daqueles lugares que você olha e pensa: "Rapaz, preciso subir o drone aqui". E foi exatamente o que fiz. Eu não poderia perder por nada aquela vista que os Portugas tiveram quando estava chegando no Brasil, só que com um a vantagem, lá do céu. 

Quem acompanha o blog sabe que no dia anterior, no roteiro histórico, meu drone principal, o DJI Mini 3 Pro, apresentou defeito grave — tava funcionando só em 2,5 MHz, perdendo sinal de com força. Foi um jovem que trabalha com gravações na praia que identificou o problema. Conserto estimado? 600 conto. Pense numa facada no bolso. Mas, deixe comigo, que viajante prevenido vale por dois: levo sempre dois drones nas viagens. O segundo, nosso fiel Mangabinha, mais uma vez salvou o dia. Isso me lembrou quando o Mangabinha também entrou em ação lá em Arraial d'Ajuda, no dia das praias do Mucugê e Pescadores — ele não me decepciona.

As imagens ficaram sensacionais. A orla de Porto Seguro vista de cima, com aquele mar azul esverdeado se encontrando com a faixa de areia branca, é um espetáculo. Eu digo sensacional, sensacional mesmo, viu. Registrei tudo com calma, variando ângulos, aproveitando a luz da manhã. Cada frame melhor que o outro.

Só que enquanto eu operava o drone concentrado, olhando pra cima, não percebi o que tava acontecendo embaixo dos meus pés. Formigas. Um exército delas. Quando dei por mim, já tavam subindo pelas pernas e mordendo tudo que podiam.

Gente do céu, que dor. Pense numa dor que arde, que queima, que não passa fácil. Fiquei vermelho nas pernas inteiras. Cada mordida parecia um pequeno choque elétrico. Ali eu descobri que minha coragem tem prazo de validade — mas primeiro terminei a gravação, porque a rapadura é doce, mas não é mole. Prioridades, né não? Só depois fui tratar das picadas, dançando feito foguete no meio do mato tentando tirar as formigas. Minha digníssima lá de longe, morrendo de rir. A Marianny então, pense numa menina que achou graça da situação.

Dica importante: quadno tiver passeando em áreas de vegetação no litoral baiano, preste atenção no chão, viu. Use calçado fechado se possível. Eu tava de chinelo e paguei o preço — literalmente com sangue e coceira.

Coroa Vermelha: almoço econômico e a feirinha que vale a visita

Depois de levar muitas picadas de formiga, seguimos para a praia de Coroa Vermelha, que fica em Santa Cruz Cabrália, cidade vizinha de Porto Seguro. O trânsito já tava pesado — era fim de ano, alta temporada, e todo mundo querendo curtir o litoral. Mais gente que terminal rodoviário em dezembro.

Estacionamos o carro próximo à praia (de graça, olha que privilégio) e fomos direto resolver o que mais importa quando se tá viajando há dias: comida. A fome batendo de com força. Compramos uma marmitex por 25 merréis e dividimos para nós três — eu, minha digníssima Te a Marianny. Sentamos ali mesmo, na entrada da feirinha de Coroa Vermelha, e almoçamos tranquilos, observando o movimento.

Já vou te adiantando que essa estratégia da marmitex dividida tem sido o segredo das nossas viagens econômicas. Já contei isso no post sobre as praias de Arraial d'Ajuda: as marmitas aqui na Bahia são generosas, bem servidas, e sobra pra todo mundo comer bem. Com 25 pila, três pessoas almoçam satisfeitas. Imagina só: enquanto tem gente pagando 80 mangos o quilo em restaurante turístico, a gente come a mesma comida — arroz, feijão, peixe, salada — por uma fração do preço. Muita gente tem vergonha de comer marmita na praia. Eu tenho é orgulho!

Com o bucho cheio, fomos caminhar pela feirinha de Coroa Vermelha. Essa feira é enorme, repleta de artesanato indígena, roupas, lembranças, acessórios. Tem de tudo. Olhei umas camisas bem bonitas, daquelas estampadas com temas da Bahia, mas não comprei. Caras de com força pra alta temporada. A dica é: se puder, visite fora do período de festas. Os preços são bem mais acessíveis. Quando a esmola é demais, o santo desconfia — e quando o preço é alto demais, o viajante desconfia também.

Mesmo sem comprar, vale demais andar por ali. Você sente a cultura local em cada barraca, nos produtos feitos à mão, nas cores vibrantes das peças. É uma experiência que vai além do consumo — é a experiência de ver o artesanato exposto nas mãos daquele povo trabalhador.

Caminho de Moisés: dessa vez, deu tudo certo

Se você leu o post sobre o dia anterior no centro histórico, sabe que a gente tentou gravar o Caminho de Moisés com o drone, mas não deu certo por causa do defeito no equipamento principal. No dia 27, voltamos com um objetivo claro: registrar esse fenômeno natural de todos os ângulos possíveis.

Aí que tá... O Caminho de Moisés é uma faixa de areia que se forma na praia durante a maré baixa, criando um corredor natural que avança mar adentro. É como se o mar se abrisse — daí o nome bíblico. É um cenário deslumbrante, principalmente visto de cima. Tive o privilégio de registrar isso com calma, sem pressa, sem defeito no equipamento.

Subi o Mangabinha e, dessa vez, as gravações ficaram perfeitas. Cada ângulo melhor que o outro. A faixa de areia branquinha cortando o mar azul, as pessoas caminhando pelo corredor, os barcos ao fundo. Material de capa, como eu gosto de dizer. Show de bola. Isso me fez lembrar as imagens que captei lá na chegada a Porto Seguro, depois daquele rali de lama — só que dessa vez, sem barro no carro e sem trauma.

Depois das gravações, a gente fez o que a alma pedia: entrou no mar. A água tava numa temperatura boa, convidativa. Aquele mar morno do litoral baiano que abraça a gente. Ficamos ali por mais ou menos uma hora e meia, curtindo, relaxando, tirando fotos. Entramos mais pra dentro do Caminho de Moisés, fizemos mais algumas gravações a pé, depois caminhamos pela beirada da praia normal. Eu, que saí do Ceará e moro no Sul, valorizo demais esse mar quentinho. É um abraço salgado que a gente nunca esquece.

Mas o sol da Bahia não perdoa, e a gente descobriu isso da pior forma. Nós queimamos bastante. Os três. Ombros, costas, braços — tudo vermelho. Minha digníssima ficou especialmente incomodada. Sei não, viu, mas parecia que a gente tinha ido pra praia de propósito pra virar camarão. E olha que a gente já deveria saber melhor, depois de tantas viagens pelo Nordeste — lá em Pirapora, no começo dessa viagem, o calor já tinha dado o recado, mas a gente insistiu em não ouvir.

Dica que vale ouro: leve protetor solar fator 50 ou mais e reaplique a cada duas horas, principalmente se for entrar na água. O sol entre 11h e 15h na Bahia é sinistro de forte. Chapéu, camisa UV e muita água também ajudam demais. Não faça como a gente — aprenda com o erro dos outros, que sai mais barato.

O trânsito que testa a paciência

Se tem uma coisa que marca Porto Seguro na alta temporada é o trânsito. E não estou falando de trânsito de capital, não. É aquele engarrafamento de cidade turística, onde todo mundo quer ir pro mesmo lugar ao mesmo tempo. Longe que até o GPS desistiu de recalcular.

Na ida já tava pesado. Na volta, pior ainda. A gente ficou um bom tempo parado dentro do carro, torrando de calor (o ar-condicionado trabalhando mais que peão em dia de feira), esperando a fila andar. É o preço que se paga por visitar Porto Seguro no auge do verão.

Minha sugestão: se possível, saia bem cedo para os passeios e volte antes das 16h. Ou então, faça como a gente fez no dia anterior e vá direto da praia pra Passarela do Álcool à noite, sem voltar pro hotel no meio da tarde. Economiza tempo, combustível e paciência.

Noite no centro de Porto Seguro: lanche e despedida

Depois de chegar ao hotel, tomar banho (ardendo de com força por causa da queimadura, diga-se de passagem) e se recuperar do sol, saímos para curtir a noite. Mas dessa vez não fomos para a Passarela do Álcool — fomos para uma feira no centro de Porto Seguro, diferente da que a gente frequentava todas as noites.

Lá a gente lanchou, passeou pelas barracas, viu o movimento da cidade. Porto Seguro à noite é uma festa a céu aberto. Música por todos os lados, cheiro de comida boa, gente de tudo quanto é lugar do Brasil. Pense num movimento bonito de se ver. Ficamos ali até umas dez e pouco da noite, aproveitando sem pressa, como quem sabe que aquele era o último passeio naquela cidade (pelo menos por enquanto).

Voltamos para o hotel com aquela sensação gostosa de dever cumprido. Nesse dia a gente aproveitou ao máximo: imagens aéreas espetaculares, banho de mar no Caminho de Moisés, feirinha, comida boa e muita, muita memória guardada. Tudo isso por praticamente nada, financeiramente falando. E é triste a dor do parto, porque no dia seguinte a gente ia embora daquele hotel. Mas a Bahia ainda tinha mais surpresas guardadas pra gente.

Quanto gastamos nesse dia

Pra quem acompanha a série de Porto Seguro, já sabe que a gente viaja no modo ultra econômico. Nesse dia não foi diferente:

  • Almoço (marmitex): R$ 25,00 (dividida para 3 pessoas — menos de 9 pila por cabeça)
  • Lanche à noite: aproximadamente R$ 30,00 (um trocadinho)
  • Estacionamento: gratuito (obrigado, universo)
  • Passeios: gratuitos (Caminho de Moisés, feirinha, drone)
  • Total estimado: R$ 55,00 para 3 pessoas

Sim, é isso mesmo que você leu. Menos de 20 conto por pessoa num dia inteiro de passeio em Porto Seguro. Já pensou? É possível? É, e como é. Basta saber onde comer, o que priorizar e ter a disposição de fazer as coisas por conta própria, sem depender de agências e pacotes turísticos. Viajar bem não é gastar muito, é gastar certo. De grão em grão, a galinha enche o papo — e de marmitex em marmitex, o viajante econômico conhece o Brasil inteiro.

O que aprendi nesse dia

Cada dia de viagem ensina algo. No dia 27, as lições foram claras:

Primeiro: sempre leve um equipamento reserva. Se eu não tivesse o segundo drone, teria perdido imagens que considero entre as melhores que já fiz. O Mangabinha, mais uma vez, provou seu valor. O seguro morreu de velho, e o viajante prevenido vive com as imagens salvas.

Segundo: respeite o sol. Eu viajo pelo Brasil há anos e ainda cometi o erro de ficar tempo demais na praia sem proteção adequada. A queimadura nos acompanhou por vários dias depois. Gato escaldado tem medo de água fria — e de sol forte também, agora.

Terceiro: nem todo passeio precisa custar caro. O Caminho de Moisés é gratuito. A feirinha de Coroa Vermelha é gratuita. A vista da Orla de Porto Seguro é gratuita. As melhores coisas de uma viagem, muitas vezes, não custam nada. Custam apenas disposição e vontade de ir. No fim das contas, entendi que a riqueza de uma viagem não tá na carteira — tá nos olhos abertos e no coração disposto.

E você, já conhece o Caminho de Moisés em Coroa Vermelha? Já passou por algum perrengue com formigas ou queimadura de sol em viagens pela Bahia? Já tentou a estratégia da marmitex dividida? Conta aqui nos comentários, quero saber da sua experiência!

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