Estrada da Graciosa, GPS errado e Alceu Valença no palco

Viajar de carro nesse dia foi aceitar uma verdade simples: a música pode até ter cido o motivo da viagem, mas é a estrada que escreve boa parte da história antes do artista subir no palco.
Foi assim no segundo dia da nossa ida ao show do Alceu Valença, em Curitiba. Antes da sanfona, da voz do homem e do povo cantando junto, teve café em Ponta Grossa, Lapa histórica, pedágio, GPS mandando a gente pra rua errada, Estrada da Graciosa, pamonha de R$ 15,00, trânsito de capital e um ingresso que resolveu sumir bem na hora errada.
O show era o grande motivo da viagem, claro. Mas, no fim das contas, o dia inteiro virou história. E das boas.
Resumo da viagem
Data: 25 de abril de 2026.
Saída: Hotel Pousada La Vierro, em Ponta Grossa.
Roteiro do dia: Ponta Grossa, Lapa, Contenda, Araucária, Curitiba, Estrada da Graciosa e Igloo Super Hall.
Combustível: R$ 100,00 de etanol, a R$ 4,79 o litro.
Pedágios: R$ 12,00 na BR-376 e R$ 12,30 na BR-476.
Almoço: marmita de R$ 20,00 dividida pra dois na Lapa.
Lanche na Graciosa: pamonha de R$ 15,00.
Hospedagem em Curitiba: Pousada Betânia, R$ 239,53 a diária.
Pré-show: lanche em Curitiba por R$ 60,00 no Pix.
Show: Alceu Valença no Igloo Super Hall, Área VIP por R$ 343,20 e estacionamento por R$ 50,00.
Perrengue da noite: o ingresso sumiu, mas um print no WhatsApp salvou a entrada.
O café em Ponta Grossa antes da estrada
Acordei cedo em Ponta Grossa, por volta das 6h, naquele clima de quem dormiu bem, mas já sabe que o dia não vai dar mole. O hotel tinha um silêncio bom, área verde, jeito de hotel fazenda e aquele friozinho de abril no Paraná. Cearense, acostumado com calorzão, pede muito agasalho nessas horas.
Às 8h, aproveitei pra gravar a área externa do Hotel Pousada La Vierro. O lugar era bem cuidado, tranquilo, com verde ao redor e um cachorro enorme circulando por ali como se fosse o dono da pousada. Ele tinha mais moral que muita gente em recepção de hotel.
Às 8h15 fomos pro café da manhã. Tinha pão, ovo frito, suco de melancia, bolo de macaxeira, leite, café e chocolate. O espaço estava limpo, organizado e sossegado. Depois de um primeiro dia puxado pela BR-277, aquilo ali foi um descanso e tanto.
Mas a gente não podia ficar enrolando. Tinha Lapa, Estrada da Graciosa, Curitiba e show do Alceu no mesmo dia. Era um roteiro bonito, mas bem apertado.
Às 8h25 saímos rumo à Lapa. No caminho, paramos num posto e colocamos R$ 100,00 de etanol, a R$ 4,79 o litro. Foi estratégia de viajante econômico: abastecer o suficiente, seguir rodando e tentar achar preço melhor mais adiante. Nem sempre dá certo, mas a gente tenta.
Lapa, história e marmita de R$ 20,00
Às 9h13 veio mais um pedágio: R$ 12,00 no km 532 da BR-376, sentido Lapa. Depois dos pedágios do dia anterior, eu já estava quase dando bom dia pra cancela. A tag ajuda bastante, porque pelo menos a gente passa direto, sem mexer com cartão, troco ou internet ruim.
O caminho até a Lapa tem aquele Paraná de estrada movimentada, áreas agrícolas, caminhões e cidades que aparecem entre um trecho e outro. É uma região onde a viagem não é só deslocamento. A estrada também mostra um pouco da força econômica do estado, com produção rural, transporte e muita gente circulando entre o interior e a capital.
Chegamos ao centro histórico da Lapa às 10h23, estacionamos e começamos as gravações. A cidade tem aquele peso de lugar antigo, com prédios que parecem guardar conversa de outros tempos. Não é só bonito de olhar. É um lugar que pede respeito.
A Lapa teve papel importante na história do Paraná, principalmente por causa do Cerco da Lapa, durante a Revolução Federalista. Esse assunto merece um texto próprio, com calma. Aqui, a cidade entrou como uma parada marcante entre Ponta Grossa e Curitiba.
Caminhar por ali é diferente. Você olha pras fachadas, pras ruas e pros detalhes das construções e percebe que a cidade não está tentando impressionar ninguém. Ela simplesmente existe com aquele jeito antigo, firme, como quem já viu muita coisa passar.
Antes de seguir, veio a marmita de R$ 20,00. Ela normalmente custava R$ 25,00, mas naquele dia saiu por vintão e deu tranquilamente pra nós dois. Comida simples, farta, preço honesto e sem atrasar o roteiro. Tem refeição que não vira foto chique, mas resolve a vida.
Esse tipo de economia faz diferença. Quem viaja muito sabe que R$ 20,00 aqui, R$ 30,00 ali e R$ 50,00 acolá, no fim, viram dinheiro de combustível, estacionamento ou diária. A viagem boa não precisa ser a mais cara. Precisa caber no bolso e deixar história pra contar.
A mudança de plano por causa do tempo
O roteiro original tinha o Parque do Monge depois do almoço, ainda na região da Lapa. Só que a previsão começou a mandar recado: sábado com céu azul e domingo com possibilidade forte de chuva, rajadas de vento e alerta de tempestade no Paraná.
A Estrada da Graciosa não estava no caminho de volta pra Cascavel. Ou a gente fazia naquele sábado, com tempo aberto, ou corria o risco de perder as imagens. Então cortamos o Parque do Monge e seguimos direto rumo a Quatro Barras, pra pegar a Graciosa com luz boa.
Foi uma decisão acertada. Em viagem de carro, principalmente gravando conteúdo, a gente precisa escolher. Querer fazer tudo no mesmo dia é pedir confusão. A rapadura é doce, mas não é mole.
Às 12h14 veio outro pedágio, agora na BR-476, km 193, no valor de R$ 12,30. Quem roda pelo Paraná precisa colocar pedágio na conta antes de sair de casa, porque ele aparece bastante e pesa no custo final da viagem.
Às 12h39 passamos por Contenda, conhecida como capital da batata no Paraná. O nome da cidade já entrega piada pronta. Fiquei imaginando se dá pra comprar batata em paz ou se tem que discutir com o vendedor. Afinal, é Contenda.
Curitiba, Linha Verde e a rua errada
Às 12h52 chegamos em Araucária, região metropolitana de Curitiba. Pouco depois entramos na capital e pegamos a Linha Verde. Ali já dava pra sentir a diferença de cidade grande: mais carros, mais pistas, mais placas, mais movimento e aquele ritmo urbano que muda completamente a viagem.
Curitiba tem uma identidade própria. As estações-tubo aparecem no caminho e chamam atenção de quem vem de fora. A gente passou pela Estação Santa Bernadete e eu fiquei reparando na estrutura. Para muita gente é rotina, mas para quem está viajando, esses detalhes ajudam a entender a cidade.
Às 13h36 ainda estávamos dentro de Curitiba, tentando sair rumo à Graciosa. Teve trânsito, teve desvio e teve aquele atraso básico de capital. Até aí, normal.
O problema veio às 13h53, quando descobrimos a mancada: em vez de colocar o ponto certo da Estrada da Graciosa, colocamos Rua Serra da Graciosa. É isso mesmo. A gente queria uma estrada histórica e o GPS levou pra uma rua dentro de Curitiba com o mesmo nome.
Na hora dá uma irritação, porque o relógio está correndo. Depois vira história boa. Mas fica a dica prática: se for colocar no GPS, procure por Portal de entrada Quatro Barras Estrada da Graciosa ou confira bem o mapa antes de sair seguindo a voz do aplicativo como se ele fosse dono da verdade.
Estrada da Graciosa, Mata Atlântica e curvas sem pressa
Depois da correção no GPS, seguimos pro lugar certo. A Estrada da Graciosa é uma daquelas rotas em que a viagem precisa desacelerar. Tem curva, descida, mata fechada, mirante e aquele verde forte da Serra do Mar, uma das obras do Criador que fazem a gente ficar calado por alguns segundos.
Esse trecho da serra muda completamente o cenário. A cidade grande fica para trás, o relevo começa a fechar, o verde fica mais intenso e a Mata Atlântica aparece com força dos dois lados. Não é estrada pra pressa. Quem vai dirigindo precisa respeitar as curvas. Quem vai gravando precisa aceitar que nem sempre a câmera pega o que o olho viu.
Às 15h30, subimos o Mangabinha duas vezes no mesmo ponto. Eu estava usando o drone reserva, um DJI Mini 3, e ele trabalhou dentro do possível. O sol forte atrapalhou um pouco, algumas imagens ficaram estouradas, mexi no manual, tentei corrigir e seguimos. Equipamento também escolhe dia pra fazer graça.
Mesmo assim, as imagens valeram a pena. Carro passando no meio do verde, montanha aparecendo, mata cobrindo a estrada e aquele cenário que muda a cada curva. Me lembrou um pouco a Chapada Diamantina, na Bahia, porque lá também tem montanha grande e paisagem que faz a gente se sentir pequeno diante do nosso Brasilzão.
Também lembrei das Cataratas do Iguaçu. Lá o que manda é o barulho da água. Na Graciosa, o que marca é o verde, a sombra, a curva e o silêncio entre um carro e outro. Cada lugar tem um jeito diferente de ficar na memória.
Pamonha de beira de estrada e rota refeita
Às 16h49, encerramos as gravações numa área de acesso a Antonina, Guaraqueçaba, Morretes, Paranaguá e praias. Morretes ficou pra outro momento, porque o show do Alceu não ia esperar a gente resolver abraçar o litoral inteiro no mesmo dia.
Compramos uma pamonha por R$ 15,00 e fizemos um lanche rápido com vista pra montanha. Não era banquete, não era mesa bonita, não era nada enfeitado. Era uma pamonha simples, no lugar certo, na hora certa, com a paisagem ajudando.
Depois veio outra decisão de rota. A gente achou que dava pra descer e pegar a BR-277 por baixo, seguindo dali. Só que descobrimos que por aquele caminho ficaria 80 km mais longe. O jeito foi voltar pela própria Estrada da Graciosa.
E sabe o melhor? O que parecia erro virou privilégio. A ideia era passar uma vez pela Graciosa. Acabamos passando duas. Na volta, sem tanta pressa de achar ponto de gravação, deu pra curtir melhor certos trechos.
Às 17h10 ainda estávamos comparando aquelas montanhas da Serra do Mar com as da Chapada Diamantina. Difícil dizer qual impressiona mais. As daqui pareciam tão altas que o olhar quase não alcançava o topo, e até o drone parecia sentir a altura.
Curitiba de novo e a corrida contra o relógio
Às 17h39 confirmamos a Pousada Betânia, em Curitiba, pelo Booking. A diária ficou em R$ 239,53, com quarto triplo superior, café da manhã incluído e estacionamento gratuito no local, conforme disponibilidade. Depois de um dia cheio, saber que tinha cama garantida já aliviou a cabeça.
Às 17h49, a gente já seguia pela BR-116, km 15, rumo à pousada. Os portões do show provavelmente já estavam abertos, e o relógio não estava brincando. A ideia era simples: chegar, tomar banho, trocar de roupa, comer alguma coisa e correr pro Igloo Super Hall.
Só que simples no papel nem sempre é simples na vida real. Fizemos check-in na Pousada Betânia por volta das 19h30, deixamos as malas, tomamos banho, trocamos de roupa em modo relâmpago e saímos. Foi banho de Fórmula 1: entrou, saiu, vestiu e foi.
Às 19h54, resolvemos garantir um lanche em Curitiba antes do show. Pagamos R$ 60,00 via Pix no THE FAMILY. A ideia era não depender do que tivesse lá dentro, porque evento grande costuma ter fila, preço salgado e porção pequena.
Comida antes de show é estratégia, não luxo. Quem já passou horas em pé, no meio de multidão, com fome, sabe bem do que eu estou falando.
O ingresso que sumiu antes do show
Às 20h30 apareceu a primeira confusão da noite. No cadastro do evento constava 22h, mas as fontes oficiais marcavam 21h, com portões abrindo às 19h. Ainda bem que conferimos. Se a gente tivesse seguido só aquele horário errado, teria chegado atrasado e talvez perdido parte do show.
Às 20h36 veio o perrengue maior. Chegando perto do Igloo Super Hall, descobrimos que os ingressos não apareciam. Nenhum e-mail estava cadastrado na Blueticket, nada na caixa de entrada, nada no spam, nada na lixeira.
A compra tinha sido feita via Pix em 14 de março de 2026, duas entradas. A suspeita era que o e-mail tinha sido digitado errado no cadastro.
Tentamos contato com o suporte, mas era sábado à noite e o atendimento não estava disponível naquele horário. Show era naquele dia. Suporte só depois. Aí o coração do viajante econômico faz aquela conta triste: Dinheiro dos ingressos indo pro espaço?
Pagamos ainda R$ 50,00 de estacionamento no local. Caro? É. Mas perto do Igloo Super Hall, em noite de show grande, sem muita opção, aquilo ali virou quase seguro contra outro perrengue. Estacionamento de evento pesa, mas às vezes salva.
A salvação veio de um detalhe pequeno: eu tinha mandado um print do ingresso pro meu irmão no WhatsApp da família. Com aquele print, o pessoal da bilheteria conseguiu consultar a compra, confirmar as duas entradas e liberar a gente.
Um print que parecia detalhe virou chave da noite. Então anota essa dica: comprou ingresso, passagem, hotel ou passeio? Salve o PDF, tire print, mande pra alguém de confiança e deixe cópia em mais de um lugar. Melhor sobrar cuidado do que faltar entrada na hora do show.
Dicas práticas para fazer esse roteiro
Saia cedo de Ponta Grossa: se quiser fazer Lapa, Estrada da Graciosa e Curitiba no mesmo dia, não deixe pra sair tarde. A gente saiu 8h25 e ainda terminou correndo no fim da tarde.
Na Lapa, vá direto ao centro histórico: caminhe com calma, repare nos prédios antigos e reserve tempo pras fotos e gravações. Se incluir o Parque do Monge no mesmo dia, o roteiro fica mais apertado.
Confira o GPS antes de confiar: coloque o ponto correto da Estrada da Graciosa, de preferência o portal em Quatro Barras. Rua com nome parecido pode virar novela.
Olhe a previsão do tempo: a Graciosa rende muito mais com céu aberto. Com chuva forte, vento ou neblina pesada, o passeio muda bastante e o drone pode nem subir.
Use tag de pedágio: não deixa a viagem barata, mas evita perder tempo em praça de cobrança. Em roteiro longo pelo Paraná, isso ajuda bastante.
Antes de show, coma no caminho: o lanche de R$ 60,00 em Curitiba evitou fome lá dentro. Em evento cheio, depender só do local pode sair mais caro.
Salve ingresso em mais de um lugar: galeria do celular, e-mail, nuvem e WhatsApp de alguém confiável. O print salvou a noite, e isso não é exagero.
Alceu no palco e Curitiba cantando junto
Entramos no show às 21h08. O Alceu começou por volta das 21h30, com meia hora de atraso por causa da fila enorme de gente entrando. Não teve banda de abertura, só música ambiente até ele subir no palco. A casa estava cheia mesmo.
Quando o show começou, foi show de bola. Alceu cantou todas as músicas que eu queria ouvir. Aquele momento lavou o cansaço do dia, a bronca do GPS, a pressa do banho, o medo de perder ingresso e até os pedágios que já tinham beliscado o bolso.
Eu, cearense morando no Paraná, fiquei feliz demais vendo um pernambucano lotar uma casa de show em Curitiba. Gente nova, gente mais velha, casais, grupos de amigos, todo mundo cantando junto. O Nordeste estava ali no Sul, firme, alegre e muito bem recebido e representado.
O local estava bem organizado: estacionamento, entrada, bar, banheiro e fluxo de pessoas funcionando mesmo com lotação alta.
É triste a dor do parto quando um show bom começa a chegar ao fim. A gente sabe que precisa ir embora, descansar e seguir viagem no dia seguinte, mas a vontade era ficar mais um pouco naquele clima. Música boa tem esse defeito: termina antes da vontade da gente.
O que esse dia me ensinou
Esse dia começou com café, bolo de macaxeira e frio em Ponta Grossa. Passou pela história da Lapa, pelas curvas da Graciosa, por pamonha de beira de estrada, por um GPS sem noção, por banho apressado, por ingresso desaparecido e terminou com Alceu Valença cantando em Curitiba.
No fim das contas, viajar de carro é isso. Não é só chegar. É lidar com roteiro que muda, clima que manda, estrada que surpreende, aplicativo que erra, pedágio que pesa, comida simples que resolve e música que fecha tudo com alegria.
Esse foi um daqueles dias que mostram por que eu gosto de registrar a viagem inteira, não só o ponto principal. O show foi maravilhoso, mas a história começou muito antes do palco: no café em Ponta Grossa, na marmita da Lapa, na pamonha da Graciosa, no erro do GPS e naquele print que salvou a noite.
E você, já passou por perrengue com ingresso, GPS te levando pro lugar errado ou horário de evento confuso? Conta aí nos comentários, porque conversa de estrada sempre rende.
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