Itaipu Binacional: a escala que virou passeio a caminho de Maceió

Tinha um carro antigo estacionado dentro do saguão do hotel, embaixo de um teto de madeira que fazia curva, e ninguém em volta parecia achar aquilo fora do lugar. Ao lado, uma escultura de metal do tamanho de uma pessoa, montada com peças soltas e segurando uma lança, com uma plaquinha do hotel na base. Eu tinha chegado ali só pra dormir e pegar um voo de manhã.
Era maio de 2015. Três anos de casados, primeira viagem nossa pro Nordeste, destino Maceió. O voo saía de Foz do Iguaçu e a gente foi de carro desde Cascavel, com um dia inteiro sobrando antes do embarque. Dia sobrando em Foz tem endereço quase obrigatório, e eu já sabia qual era o meu.
A viagem começou um dia antes de começar
Esse é o primeiro post da série sobre nossa primeira ida ao Nordeste, e ele nem chega no Nordeste ainda. Fica tudo aqui mesmo no Paraná: um hotel dos anos 60 com jeito de galeria, um ônibus de teto aberto passando em cima de uma barragem e uma coisa que eu queria muito ter feito naquele dia e só consegui muitos anos depois. No caminho, deixo os preços de hoje pra você calcular o seu.
De Cascavel a Foz com o voo marcado pro dia seguinte
São cerca de 140 quilômetros de Cascavel até Foz do Iguaçu pela BR-277. Viagem curta, dessas que a gente faz sem pensar muito, e naquele dia ela tinha uma função prática: chegar com folga e não depender de nada dando certo na manhã do embarque. Quem já perdeu voo por confiar demais na estrada entende o raciocínio.
O carro a gente deixou na casa de uma amiga que morava lá. Isso resolveu de uma vez o estacionamento de uma semana inteira, que é justamente o gasto que ninguém lembra de colocar na conta antes de viajar. A pessoa calcula passagem, hotel, passeio e comida, e esquece que o carro também precisa de um lugar pra ficar. O carro dormiu na garagem dela.
O Carimã, o hotel que parecia galeria de arte
A gente se hospedou no Carimã, um dos hotéis mais antigos da cidade. Ele foi construído na década de 1960, na avenida que leva pras Cataratas, e chegou a figurar entre os maiores da América Latina, com fila de autoridade e celebridade passando por lá. Depois de uma reforma pesada, hoje ele se chama Grand Carimã Resort & Convention Center, mas em 2015 ainda tinha aquela cara de prédio grande de outra época.

Rapaz, eu entrei achando que ia encontrar uma recepção comum e me deparei com carros antigos expostos ali dentro, gente circulando em volta, mesa posta com toalha azul do lado, um lustre estrelado pendurado no meio do salão. Passei mais tempo olhando aquilo do que eu tinha planejado. Minha digníssima sentou na cama do quarto e eu fiquei fotografando o saguão como quem entrou num museu por engano.

A estrutura é de resort, com terreno grande, bosque, lagos, piscinas, quadra de tênis, sauna e café da manhã em buffet. Fica a poucos minutos do Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu, que foi o motivo prático da escolha, e a uns dez ou quinze minutos da entrada do Parque Nacional. Estacionamento próprio, sem cobrança à parte, o que ajuda quem chega de carro.
Quanto custa hoje? Aí depende muito da data. Consultando as plataformas de reserva em agosto de 2026, a diária de casal aparece numa faixa que começa em torno de R$ 457 em dia de semana mais vazio e sobe pra algo perto de R$ 788 na média geral, com picos maiores em feriado e alta temporada. Comparando com outros quatro estrelas da cidade, que rodam acima de R$ 900 a diária, ele costuma sair como opção de custo mais em conta dentro dessa categoria. Vale simular sua data antes de fechar, porque em Foz o preço muda de semana pra semana.
Vale dizer o óbvio: naquela época eu não criava conteúdo pra internet. Não tinha drone, não tinha roteiro de gravação, não tinha pauta. Fotografei tudo com uma câmera compacta e nenhuma pretensão.
A Itaipu vista de cima do ônibus panorâmico
O passeio que a gente fez foi o panorâmico, aquele que percorre a usina por fora. Começa no Centro de Recepção de Visitantes, com um filme sobre a construção da barragem, e de lá o pessoal embarca num ônibus de teto aberto que sobe em cima da estrutura e para nos mirantes.

O céu estava fechado naquele dia, cinza pesado de maio no oeste do Paraná, dessas nuvens que ficam ameaçando e não caem. Deu foto escura, deu vento no ônibus e deu aquele frio que eu, cearense, ainda estava aprendendo a levar a sério. Mesmo assim a barragem apareceu do jeito que ela é: um paredão que não cabe inteiro na tela do celular, com os condutos forçados descendo em fila como canos gigantes.

O vertedouro estava fechado, seco, aquele canal enorme de concreto sem uma gota descendo. Ele só abre quando sobra água no reservatório, geralmente em época de chuva forte, e passa a maior parte do tempo parado. Tem depoimento de visitante contando que pegou o vertedouro aberto depois de sete anos fechado, o que dá bem a medida da raridade.
Os números que o guia solta e a gente demora a acreditar
A barragem principal tem 196 metros de altura, mais ou menos um prédio de 65 andares, e a estrutura toda chega a 7.919 metros de extensão. São 20 unidades geradoras e 14 mil megawatts de potência instalada. Na construção foram usados quase 13 milhões de metros cúbicos de concreto.
O dado que mais me pegou foi justamente o daquele canal vazio na minha frente: quando abre de tudo, o vertedouro despeja algo em torno de 62 mil metros cúbicos de água por segundo, cerca de quarenta vezes a vazão média das Cataratas do Iguaçu. Olha só, quarenta Cataratas ao mesmo tempo, e eu ali olhando concreto seco.
Tem uma confusão comum que vale esclarecer, porque quase todo mundo repete errado. Em potência instalada, a maior hidrelétrica do mundo é a barragem das Três Gargantas, na China, com cerca de 18.200 megawatts, bem acima dos 14 mil de Itaipu. O que a usina brasileira e paraguaia sustenta há décadas são marcas de produção anual de energia, que é uma medida diferente. São dois recordes distintos, e por isso as duas usinas aparecem em primeiro lugar em listas diferentes.
O nome vem do tupi-guarani e tem a ver com pedra e barulho de água, referência a uma ilha que existia perto do canteiro de obras e desapareceu quando o lago se formou. A construção começou em 1975 e a usina foi inaugurada em 1984.
Guia rápido: quanto custa visitar a Itaipu hoje
De 2015 pra cá mudou bastante coisa no complexo turístico. Hoje são vários passeios diferentes, com preços e durações distintas, e dá pra montar desde uma visita rápida de uma hora até um programa noturno de quatro horas. Levantei os valores no site oficial em agosto de 2026, e como esses números são reajustados, sempre confira na hora de comprar.
Fotos de Itaipu Binacional em 2015
Passeios e preços da Itaipu, atualizados
- Itaipu Panorâmica: R$ 63,00 a inteira, cerca de 1h10, todos os dias das 8h30 às 16h. É o passeio externo, o mesmo que eu fiz
- Itaipu Especial: R$ 185,00 a inteira, cerca de 2h30. Inclui todo o trajeto panorâmico e mais a parte interna, com sala de comando e eixo da turbina. Só para maiores de 14 anos, sem exceção
- Itaipu Refúgio Biológico: R$ 48,00, cerca de 2h30, de quarta a segunda. Trilha leve de uns 2 km e plantio de árvore nativa
- Itaipu Iluminada: R$ 50,00, cerca de 2h, sextas e sábados às 19h, com música ao vivo no Mirante Central
- Itaipu Iluminada Especial: R$ 180,00, cerca de 4h, com passagem pelos condutos forçados e jantar
- Ecomuseu: gratuito, de quarta a segunda, das 8h30 às 16h, com três exposições sobre a região
- Moradores dos municípios lindeiros e da região binacional têm gratuidade em alguns passeios e desconto em outros. Leve comprovante
- Centro de Recepção de Visitantes: Av. Tancredo Neves, 6702. Chegue 30 minutos antes com documento com foto e o número da reserva
- Existe taxa de no show se você desistir com menos de 4 horas de antecedência. Alteração de data também exige aviso nesse prazo
- O ônibus é de teto aberto. Leve casaco mesmo em dia de sol fraco, porque em cima da barragem o vento não perdoa
Já que você está em Foz, aproveite a região inteira
Meu caso era específico, um dia solto antes de embarcar. Se você tem dois ou três dias, dá pra montar um roteiro cheio sem correria, porque as atrações principais ficam praticamente na mesma avenida. Uma combinação que funciona bem: Cataratas pela manhã, Parque das Aves logo ali do lado, Itaipu no dia seguinte e o Marco das Três Fronteiras no fim de tarde.
O que fazer em Foz do Iguaçu e quanto custa cada coisa
- Cataratas do Iguaçu, lado brasileiro: R$ 134,00 para visitantes em geral, R$ 121,00 para brasileiros e cidadãos do Mercosul, e R$ 26,00 no Passe Comunidade para moradores dos 14 municípios do entorno. Crianças até 6 anos não pagam. Compre online e agende horário
- Lado argentino: a entrada subiu em junho de 2026 para 60 mil pesos, algo perto de R$ 240 na cotação da fronteira. Reserve o dia inteiro e leve documento, porque é travessia de país
- Parque das Aves: fica na mesma avenida, quase em frente ao Parque Nacional. O ingresso inteiro estava em torno de R$ 110,00 na última tabela divulgada. Reserve umas duas horas
- Marco das Três Fronteiras: ingresso em torno de R$ 57,00, com meia para maiores de 60 e crianças. Vá no fim da tarde, que é quando o programa rende mais
- Macuco Safari: o passeio de barco que chega perto das quedas, comprado à parte do ingresso do parque. Leve roupa reserva, porque molha de verdade
- Ciudad del Este, no Paraguai, fica a poucos minutos pela Ponte da Amizade. Se for, vá cedo e informe-se antes sobre a cota de compras
- Hospedagem na Avenida das Cataratas facilita a logística toda e ainda deixa o aeroporto perto
- Valores conferidos em agosto de 2026. Todos são reajustados periodicamente, então confirme no site oficial de cada atrativo
O que ficou faltando naquele dia
Ali no mirante, olhando aquele paredão, ficou uma vontade que o panorâmico não resolve: entrar na usina. Ver a sala de comando, andar pelas galerias, chegar perto do eixo de uma turbina girando. Naquele dia não deu, e a gente voltou pro hotel com o embarque marcado pra manhã seguinte.
Anos depois eu voltei e fiz o passeio que entra na usina, esse sim com turbina de perto e chão vibrando embaixo do pé. Contei essa parte em outro relato aqui do blog, sobre a visita à hidrelétrica de Itaipu. Levei anos pra fechar essa pendência.
No dia seguinte a gente deixou o carro na garagem da amiga e embarcou pra Maceió, com hotel reservado e expectativa lá em cima. O que a gente encontrou por lá eu conto no próximo post da série, porque aquela hospedagem virou a régua com que eu comparo todas as outras até hoje.
Onze anos mais jovem e apenas 3 anos de casado. Esse cenário tornou essa viagem umas das mais inesquecíveis.
E você, quando visitou a Itaipu, pegou o vertedouro aberto ou seco como eu peguei?
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