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Lençóis Maranhenses: precisa de guia?

·7 min de leitura·por Helio Pere
Lençóis Maranhenses: precisa de guia?

Chegou uma mensagem no direct do Instagram e a pergunta era curta: precisa de guia pra ir aos Lençóis Maranhenses? Quem mandou foi o Marco. Respondi ali mesmo, em duas linhas, e fiquei com a sensação de que tinha respondido mal.

Não porque a resposta estava errada. É que ela tem um detalhe no meio que, se a pessoa entender torto, vira problema lá na porta do parque. Então vou contar direito, do jeito que a gente fez em maio de 2025, com preço, com o que deu certo e com o que a gente pagou a mais por não saber.

Antes de fechar qualquer pacote, lê isso aqui

Tem uma diferença entre o que o parque exige e o que a agência tenta te vender antes de você chegar. Foi nessa brecha que a gente economizou, e foi nela também que quase caí. Conto o valor exato que paguei em cada passeio e a conta que não bateu.

A resposta curta

Não precisa contratar guia particular. Não precisa comprar pacote de agência antes de viajar. A gente não comprou nada pela internet e fez os dois passeios que queria fazer.

Agora a parte que não cabia no direct. Você não entra nas dunas com o seu carro e nem a pé por conta própria. O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses é unidade de conservação federal, administrada pelo ICMBio, e o transporte de visitante lá dentro só pode ser feito por veículo e condutor credenciados. Está escrito na portaria que regulamenta o serviço e no edital de credenciamento do parque, que você pode conferir no site do ICMBio. O carro precisa ter o adesivo com a logomarca do parque e o número do credenciamento, e o condutor precisa estar com o crachá.

Ou seja: o condutor credenciado já vem junto com o passeio que você compra na cidade. Ele é obrigatório e já está no preço. O que é opcional é aquele guia extra, o pacote fechado, o transfer privativo. Isso ninguém é obrigado a contratar.

Como a gente comprou

A regra que aprendi nessa viagem foi essa: comprar na hora, na cidade, olhando na cara de quem está vendendo.

Começou ainda em São Luís. A van pra Barreirinhas estava saindo entre R$ 130 e R$ 160 por pessoa pela internet. No café da manhã do hotel apareceu um vendedor que organiza vans, conversei com ele, e a van ficou setenta reais por pessoa. Paguei na hora e no dia seguinte às sete da manhã a gente estava na estrada.

Em Barreirinhas foi a mesma coisa. Os passeios estavam anunciados a R$ 196 por pessoa. Negociando na cidade, a gente conseguiu de R$ 95 a R$ 150 por pessoa, dependendo do passeio. A van do segundo passeio passou pra pegar a gente na porta da pousada Meu Xodó, às oito e cinquenta da manhã. Nenhum aplicativo, nenhum voucher, nenhuma taxa de reserva.

Rapaz, foi a economia mais fácil da viagem inteira. E ela existe justamente porque o preço da internet carrega a comissão de quem nunca pisou lá.

Lagoa Bonita, 170 reais

O primeiro passeio foi o circuito da Lagoa Bonita, na tarde de 13 de maio. R$ 170 pelos dois. Saímos de tarde e voltamos no escuro.

O cenário é lunar. Duna atrás de duna, e nesse dia ainda tinha lagoa completamente vazia, porque a gente foi um pouco antes da cheia. A água das que estavam cheias tinha uma temperatura excelente. Tinha outras pessoas com drone além de mim, o que já dá uma ideia do movimento por lá.

O condutor era morador da região, quinta geração de família dos povoados que dão acesso ao parque. Foi ele que contou que ali tinha onça e que os moradores começaram a caçar porque o bicho comia os animais de criação deles. Contou também que dos mil moradores da área só uns 10% têm energia em casa, e é solar. E disse que se alguém se machucar ou passar mal, o helicóptero demora três dias pra chegar. Eu não sei se ele falou sério ou se estava brincando com a cara do turista. Não perguntei de novo.

A volta, já de noite, é um safári noturno com todo o direito. O carro balança, sobe, desce, a gente vai segurando no que dá. Nem adianta pedir pra ir sem emoção.

Pôr do sol não teve. O sol apareceu e sumiu atrás de nuvem, e ficou por isso mesmo. Foi assim todos os dias dessa viagem, e eu já tinha aceitado.

O passeio de Santo Amaro

O segundo foi o melhor, e é o que menos gente faz. Santo Amaro do Maranhão, cerca de uma hora e vinte de viagem mais ou menos, saindo de Barreirinhas. Pagamos R$ 360 pelos dois, já com o transfer e o passeio de 4x4 dentro do parque.

A diferença pra Barreirinhas se sente na hora. Lá do lado de Barreirinhas você atravessa o rio e ainda roda um bom tempo até as dunas. Em Santo Amaro a entrada é quase dentro da cidade, rápida. Na chegada tem uma taxa de dez reais da prefeitura, paga com pix ou cartão.

As lagoas de lá são o que o pessoal fala mesmo. Céu azul com nuvem passando, água limpa, e aquela sensação de que a lagoa é sua e de mais ninguém. O almoço ficou em R$ 190 pra duas pessoas, no Cantinho da Felicidade, com baião de dois, vinagrete e guaraná Jesus gelado. Achei caro. Só que ali não tem opção, é aquele lugar e pronto. Pra chegar no restaurante ainda tem uma travessia de barco de dez reais por pessoa, que já estava incluída na conta.

Na nota tinha uma taxa de R$ 15 que eu não descobri o que era. Paguei e segui.

Os perrengues

Não foi tudo bonito. Cheguei em Barreirinhas com três dias de tosse e falta de ar, e lá não tem muito recurso médico. Fui na farmácia, comprei remédio mais forte e melhorei da respiração no dia seguinte. Podia ter sido pior num lugar daqueles.

No quarto da pousada teve obra. Dois pedreiros quebrando parede do banheiro, de manhã e de noite, entra e sai. A gente sentado na cama esperando eles irem embora pra poder sair e gravar. A diária estava R$ 139 e eu não fui reclamar de nada.

Ah, e a gente rodou a cidade procurando aluguel de bicicleta, porque Barreirinhas é plana e pequena. Não existe. Alguém está deixando dinheiro na mesa ali.

Almoçamos duas vezes no mesmo lugar, um restaurante chamado 4x4, perto da pousada. O dono é gentil e dá pra ver que gosta do que faz.

A conta da viagem fechou com dois passeios só. O orçamento era curto e a gente parou no limite que tinha combinado. Foi ótimo assim.

O resto do tempo a gente andou pela beira do rio Preguiças, comeu num lanche de trinta e oito reais com refrigerante incluso e ficou vendo a cidade de noite, com música ao vivo na orla. Comemos longe da orla, que é onde o preço cai.

Se você for fazer esse roteiro, olha isso aqui
  • Confira se o veículo tem o adesivo do parque nos dois lados e se o condutor está de crachá. É o que a fiscalização olha
  • Em São Luís, o InDrive estava saindo pela metade do preço do Uber
  • Leve dinheiro separado pras taxas pequenas de entrada e travessia, que aparecem no caminho
  • Escolha o dia do passeio pela previsão do tempo, não pela ordem do roteiro
  • Se puder incluir só um passeio diferente, que seja o de Santo Amaro

Ver outros relatos sobre o Maranhão na busca do blog.

O que eu diria ao Marco

Guia particular, não. Pacote comprado de casa, também não. Chega na cidade, conversa com duas ou três pessoas, pergunta o preço, olha o carro e fecha ali. O condutor credenciado vem junto, porque é regra do parque, e é bom que seja: aquele povo conhece a areia de cor e é deles que sai a melhor parte da conversa.

Minha digníssima e eu voltamos sem ver o sol uma vez sequer em nove dias de Maranhão. E mesmo assim eu voltaria amanhã.

E você, prefere comprar tudo antes pra chegar com a agenda pronta, ou negocia na hora como a gente fez?

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