Pular para o conteúdo

Pôr do sol pelo Brasil: quando a gente para o carro

·11 min de leitura·por Helio Pere
Pôr do sol pelo Brasil: quando a gente para o carro

Itaipulândia fica perto de Cascavel e a gente já perdeu a conta de quantas vezes foi até lá. Quando chega o verão, é um dos passeios que mais fazemos. Durante um período, chegamos até a ser associados ao Itaipuland, o parque aquático da cidade.

Num desses dias, já voltando do parque, o céu começou a mudar sobre a região do lago de Itaipu. A luz foi ficando mais baixa, o horizonte ganhou aquela mistura de laranja e vermelho, e a pressa de chegar em casa perdeu a discussão. Encostamos num lugar seguro e começamos a filmar.

Mas este texto não é apenas sobre o pôr do sol em Itaipulândia. É sobre os fins e começos de dia que fomos encontrando pelas estradas do Brasil. Alguns ficaram gravados. Outros passaram depressa demais. E teve aquele que eu vi pela janela, continuei dirigindo e até hoje me incomoda não ter parado.

O relato começa na volta do Itaipuland, mas passa por Paraná, Minas Gerais, Bahia e outros caminhos por onde viajamos. Tem pôr do sol com drone, amanhecer silencioso, equipamento falhando e aquela decisão que precisa ser tomada rápido: parar ou seguir viagem.

Itaipuland: o parque aquático que nos fazia voltar

O Itaipuland fica em Itaipulândia, no oeste do Paraná, e foi durante muito tempo um dos nossos passeios mais frequentes no verão. Como a cidade está relativamente perto de Cascavel, dava para sair de manhã, passar o dia no parque aquático e voltar sem precisar procurar hospedagem.

Durante um período, chegamos a ser associados ao parque. Isso facilitava bastante, porque não era preciso organizar uma grande viagem. Era separar roupa de banho, protetor solar, toalha e pegar a estrada.

O parque reúne atrações para diferentes idades. Tem piscina de ondas, rio lento, áreas infantis, piscinas para quem quer ficar mais tranquilo e toboáguas para quem gosta de subir uma escada enorme só para descer em poucos segundos.

📍 Itaipuland

Abrir no Google MapsComo chegar

Eu gosto justamente dessa variedade. Dá para passar uma parte do dia nas atrações mais movimentadas e depois procurar um canto mais tranquilo. Parque aquático cansa mais do que parece. Quando a gente percebe, já passou horas andando molhado, subindo escada e procurando onde deixou a toalha.

Pra quem quer curtir Itaipuland
  •   Na consulta feita em 29 de julho de 2026, o Itaipuland anunciava o ingresso individual antecipado por R$ 119,00. 
  •   Também aparecia uma promoção chamada Combo Amigo, com dois ingressos adultos por R$ 199,00.
  •   Como essas ofertas podem mudar conforme a temporada, o melhor é conferir o valor novamente antes de sair de casa. E outra aqui  


O parque também trabalha com ingressos para crianças, idosos e famílias. A página oficial separa as categorias entre adultos acima de 12 anos, crianças de 1 a 5 anos, crianças de 6 a 12 anos e pessoas com mais de 60 anos. Os valores dessas categorias nem sempre ficam visíveis antes de iniciar a compra.

Preços e dicas para visitar o Itaipuland

Ingresso individual antecipado: R$ 119,00 na consulta feita em 29 de julho de 2026.

Combo Amigo: dois ingressos adultos por R$ 199,00 na promoção anunciada pelo parque.

Horário informado: sexta-feira, sábado e domingo, das 10h às 18h. Os toboáguas podem encerrar um pouco antes do fechamento geral.

Grupos: quem reúne pelo menos dez pessoas pode solicitar condições especiais diretamente com o parque.

Comida e bebida: o parque não permite a entrada de alimentos e bebidas. As exceções informadas são papinha, mamadeira de bebê e kit de tereré dentro das regras divulgadas.

Guarda-volumes: uma página oficial ainda informa o valor de R$ 30,00, mas o texto dessa página contém informações antigas. Eu confirmaria esse preço antes da visita.

Minha dica: compre antecipadamente, confirme se o parque vai abrir e olhe a previsão do tempo. Em dias de chuva forte ou temperatura baixa, algumas atrações podem não funcionar e existe a possibilidade de o parque não abrir.

Os preços e horários podem mudar. Consulte a página oficial de ingressos do Itaipuland e as informações para visitantes antes de viajar.

Foi na volta de um desses dias no Itaipuland que resolvemos parar para filmar o pôr do sol. A gente já estava cansado, com roupa molhada dentro da bolsa e querendo chegar em casa, mas o céu começou a mudar.

Minha companheira de aventuras ficou com o celular, enquanto eu cuidava do restante dos equipamentos. Essa divisão funciona bem nas viagens: eu dirijo e ela grava boa parte do caminho. Ela não gosta muito de aparecer, mas tem paciência para segurar o celular na janela quando eu começo com aquela conversa de que a luz está boa.

Sem ela, metade das imagens de estrada simplesmente não existiria.

O céu que eu deixei passar em Ponta Grossa

Nem sempre a gente para.

Numa tarde, chegando em Ponta Grossa, o céu estava com aquela cor que chama atenção de longe. Laranja de um lado, tons mais escuros do outro. Eu vi, comentei e continuei dirigindo.


A rodovia estava movimentada, não aparecia um lugar seguro para encostar, a gente estava com fome e ainda não tinha hotel reservado. Era uma decisão de poucos minutos: parar, preparar o equipamento e perder mais tempo ou seguir para resolver onde dormir.

Seguimos.

Consegui hospedagem, conseguimos jantar e a noite ficou resolvida. Só não ficou nenhuma imagem daquele céu.

De todas as paradas de fim de tarde que fizemos, uma das que mais lembro foi justamente a que não aconteceu. Não porque fosse o céu mais bonito que já vimos, mas porque ele ficou apenas na memória. A câmera estava no carro. O drone também. Faltou parar.

Como esse hábito começou

Comecei a gravar com mais frequência em 2022, pouco depois de perder meu pai. O primeiro vídeo foi perto de casa, no lago municipal de Santa Tereza do Oeste.

Naquele dia fazia frio. Eu estava com um celular Samsung S20 e um estabilizador da DJI. Não tinha drone, não tinha uma câmera mais avançada e ainda estava aprendendo a andar segurando o estabilizador sem deixar o vídeo parecendo filmagem feita dentro de um barco.

Mesmo assim, aquele registro continua importante pra mim.

Com o tempo fui percebendo que o começo e o final do dia entregam imagens diferentes. A luz fica mais baixa, a água muda de aparência, as sombras ficam compridas e até uma estrada comum ganha detalhes que desaparecem perto do meio-dia.

O pôr do sol aparece mais nos arquivos porque geralmente ainda estamos rodando nesse horário. O nascer do sol depende de a viagem começar cedo ou de a gente já estar acordado quando o dia clareia.

São momentos diferentes. O entardecer costuma vir com aquela pressa para chegar. O amanhecer chega mais quieto, muitas vezes com rua vazia, pouco movimento e equipamento ainda sendo tirado da mochila.

Hoje, quando estamos na estrada no fim da tarde, eu começo a procurar com antecedência algum recuo, mirante ou acesso onde seja possível parar sem colocar ninguém em risco. Não adianta conseguir uma imagem boa e transformar o acostamento em estúdio de gravação.

Quando o fim de tarde ajuda o vídeo

Quem grava viagens percebe rápido que nem sempre o local mais famoso entrega a melhor imagem. Às vezes, o melhor trecho aparece na volta, quando o passeio principal já terminou.

Pode ser uma plantação com o horizonte aberto, uma ponte, uma serra, o reflexo sobre um rio ou uma pequena estrada perto da cidade. A vantagem é que a cena não precisa de muita preparação. Quando a luz está boa, basta encontrar um ponto seguro e ter bateria.

A parte da bateria merece atenção. Já voltamos pro carro no meio de passeio porque algum equipamento precisava ser carregado. Celular, câmera, estabilizador, microfone e drone parecem muito organizados dentro da mochila. Depois que começam a sair, o banco do carro vira uma pequena assistência técnica sobre rodas.

E ainda tem o vento. Quando ele colabora, o drone sobe sem esforço e permite movimentos lentos sobre a água ou a paisagem. Quando não colabora, o aparelho fica corrigindo a posição o tempo todo e a tranquilidade vai embora junto.

A ponte em Pirapora e um pôr do sol que deu certo

Em dezembro de 2025, estávamos em Pirapora, em Minas Gerais, durante uma onda de calor daquelas que fazem qualquer sombra parecer propriedade particular.


O rio São Francisco estava muito baixo na área central, e a praia principal praticamente não tinha água. Passamos parte do dia gravando a cidade e tomando sorvetes de frutas que não encontro com facilidade no Sul, como pequi, seriguela e tamarindo.

Quando o dia começou a esfriar, fomos até a Ponte Marechal Hermes esperar o sol baixar. Ficamos ali fotografando e observando a mudança da luz sobre o rio. Minha digníssima até aceitou aparecer em uma das fotos, o que já valoriza o arquivo porque isso não acontece toda hora.

Não subi o drone naquela ocasião. Eu já tinha imagens aéreas da cidade gravadas em 2023 e não vi necessidade de repetir o voo. Nem todo pôr do sol precisa ser filmado do alto. Às vezes, ficar parado na ponte resolve melhor.

Depois descemos para a região da Avenida Salmeron e jantamos por ali. Duas marmitas e uma Coca-Cola custaram R$ 60,00. A fome estava grande, então a comida chegou em boa hora.

A janta resolveu a noite. A luz sobre o São Francisco resolveu as imagens.

Quando o céu e o equipamento resolvem complicar

Seria fácil mostrar apenas as paradas que deram certo. O problema é que não foi assim.

Em Vila Velha, no Paraná, saímos do parque no fim da tarde querendo registrar o pôr do sol. Quando encontramos um trecho melhor da estrada, o sol já estava escondido atrás das nuvens. Ainda rodamos procurando outro ponto, mas não apareceu nenhum lugar seguro e interessante para parar.

Ficou sem imagem mesmo.

Na Estrada da Graciosa, o problema foi diferente. Eu estava apenas com o drone reserva, um DJI Mini 3, e tive dificuldade para ajustar a câmera à luz forte. Algumas cenas ficaram claras demais. Mexi nas configurações manuais e consegui melhorar uma parte, mas vários trechos da estrada desapareciam debaixo da mata.

O voo aconteceu normalmente. O horário e a luz é que não ajudaram.

Também teve uma fase em que o Mangabinha, meu drone principal, começou a perder sinal e passou a funcionar apenas em uma das frequências disponíveis. Um rapaz que trabalhava gravando na praia examinou o aparelho e encontrou o problema.

Foi aí que o drone reserva deixou de parecer exagero. Se eu estivesse viajando com apenas um, poderia ter perdido as imagens de uma região inteira.

Em Rio de Contas, na Bahia, subimos uma serra íngreme correndo contra o horário. O carro reclamava, havia cheiro de freio no ar e eu ainda queria chegar a tempo de gravar as quedas d'água.

Conseguimos gravar o local. O pôr do sol, porém, apareceu encoberto e durou pouco. Depois de toda a subida, o céu simplesmente decidiu não participar do roteiro.

Quanto custa parar para filmar

Na maioria das vezes, a parada não custa nada. Não existe ingresso para encostar num ponto permitido e observar o céu.

O custo aparece no relógio.

Uma parada pode consumir vinte, trinta ou quarenta minutos. Primeiro é preciso encontrar um lugar seguro. Depois vêm o drone, o celular, as baterias, o estabilizador e aquela demora básica para guardar tudo novamente.

Isso empurra a chegada para mais tarde. Entrar depois das sete da noite numa cidade desconhecida pode significar procurar hotel com fome, no escuro e com menos opções disponíveis.

Na Lapa, por exemplo, encontrei diária perto de R$ 300,00 e preferi voltar cerca de trinta quilômetros para procurar hospedagem em Ponta Grossa. Acabei pagando R$ 193,25 numa pousada cercada por obras e tão difícil de encontrar que o pessoal precisou ir de carro nos buscar.

A parada para ver o céu seria gratuita. A chegada atrasada poderia sair bem mais cara.

Esse é o cálculo real. Nem sempre dá para parar. Mas, quando o local é seguro e o restante da viagem está resolvido, a gente tenta não deixar passar.

Quem pretende fotografar ou filmar o amanhecer e o pôr do sol na estrada deve procurar o ponto de parada com antecedência, conferir as baterias antes de sair e evitar acostamentos estreitos. Nuvens nem sempre estragam a cena, mas falta de segurança e equipamento descarregado acabam com qualquer gravação.

O que ficou dessas paradas

As imagens da volta do Itaipuland acabaram se misturando com registros de Pirapora, estradas do Paraná, serras da Bahia e outros lugares por onde passamos. Algumas foram feitas com drone. Outras, apenas com o celular pela janela.

E algumas não foram feitas.

Aquele céu de Ponta Grossa continua voltando à memória. Naquele dia, seguir viagem fazia sentido. Estávamos com fome, sem hotel e numa rodovia movimentada. Mesmo assim, quando aparece outra dúvida parecida, eu lembro dele.

Hoje procuro um lugar seguro e, quando dá, desço do carro.

Você costuma parar para ver o pôr do sol ou o nascer do sol durante uma viagem, ou prefere seguir até o destino antes de escurecer?

Leia mais

Veja outros relatos sobre Itaipulândia, Ponta Grossa, Pirapora e a Estrada da Graciosa. Os links levam para a busca interna do blog.

Gostou? Compartilhe com quem vai curtir

Comentários

Seja o primeiro a comentar

Sua opinião sobre o destino, uma dúvida, uma correção — tudo é bem-vindo.

Aparece junto do comentário.

Nunca aparece no site.

0/3000

Todo comentário passa por aprovação antes de aparecer.

Continue lendo sobre Paraná